
Del e Gil na praia de Paripueira-AL
Estávamos em uma praça de alimentação na faculdade quando, subitamente, pensei em Nietzsche e nos que dizem que cometeu suicídio. Perguntei ao Douglas qual seria a razão, o motivo pelo qual ele achava ser a causa daquele ato (Se, de fato, ele suicidou-se). Enquanto ele pensava, eu mesmo me encarreguei de responder citando várias teorias de Nietzsche, seu ceticismo e sua teologia metafísica baseados na rejeição da fé-segurança e por conseqüência dessa auto-afirmação e da não imposição de dogmas sua forma de morrer atraia o suicídio ou vice e versa. No entanto, a resposta de Douglas foi muito mais inteligente e satisfatória: “Sei lá, acho que foi por causa de alguma mulher”
Fim de noite e também estou com saudades de mim. Escrevo meus pensamentos, mas só desejo citar Thomas Merton:
Uma das chaves para a verdadeira experiência religiosa ( prefiro espiritual ) é a compreensão esmagadora de que, não importa o quanto nos detestemos, Deus não nos detesta. Essa percepção nos ajuda a entender a diferença entre nosso amor e o dele. O nosso é uma necessidade; o dele, uma dádiva.
Estou cada vez mais me apaixonando pelo talento e musicalidade de Sarah Groves. Esta canção tem algo que me toca profundamente…
Add to the beauty, live with Steve Mason from Jars of Clay.
Tradução: Gladir Cabral
“Contribua com a beleza”
(Sarah Groves & Matt Bronlewee)
Chegamos com belos segredos
Chegamos com propósitos escritos em nossos corações, escritos em nossas almas
Chegamos a cada manhã
Com possibilidades que só nós podemos ter, somente nós podemos terA redenção vem a lugares estranhos, pequenos espaços
Chamando pelo melhor que somosE eu contribuo com a beleza
Para contar uma história melhor
Eu quero brilhar com a luz
Que queima dentro de mimEla chega em pequenas inspirações
E traz redenção à vida e à obra
A nossas vidas e nosso trabalhoEla chega em uma comunidade amorosa
Ela chega ajudando a alma a encontrar seu valorA redenção chega a estranhos lugares, pequenos espaços
Chamando pelo que somos de melhorE quero contribuir com a beleza
E contar uma história melhor
Eu quero brilhar com a luz
Que queima dentro de mimIsto é graça: um convite à beleza
Isto é graça: um conviteA redenção chega a estranhos lugares, pequenos espaços
Chamando pelo que há de melhor em nósE eu quero contribuir com a beleza
Contar uma história melhor
Eu quero brilhar com a luz
Que queima dentro de mim

(Rubem Alves)

“O poema nasce do espanto, e o espanto decorre do incompreensível. Vou contar um história: um dia, estava vendo televisão e o telefone tocou. Mal me ergui para atendê-lo, o fêmur de uma das minhas pernas roçou o osso da bacia. Algo do tipo já acontecera antes? Com certeza. Entretanto, naquela ocasião, o atrito dos ossos me espantou. Uma ocorrência explicável, de súbito, ganhou contornos inexplicáveis. Quer dizer que sou osso? – refleti, surpreso. Eu sou osso? Osso pergunta? A parte que em mim pergunta é igualmente osso? Na tentativa de elucidar os questionamentos despertados pelo espanto, eclode um poema. Entende agora por que demoro 10, 12 anos para lançar um novo livro de poesia? Porque preciso do espanto. Não determino o instante de escrever: hoje vou sentar e redigir um poema. A poesia está além de minha vontade. Por isso, quando me indagam se sou Ferreira Gullar, respondo: às vezes.”
Ferreira Gullar. Bravo, mar/2009
Poemas vividos são os que eu guardo na memória,
Na possível esperança de abri-los novamente.
Os anos podem até roubar a nitidez de meu olhar demorado,
Mas jamais usurparão o sentido, o valor de seu legado.
Sou incapaz de esquecer a constante busca das respostas,
Das quedas que ninguém chegou a ver,
Das travessuras de um menino,
Que não sabia que era tão penoso crescer.
Enchia meus bolsos daquilo que seria bom para os outros.
Vez por outra doava timidamente meus presentes.
E quando alguém me retribuía, em forma de palavras ternas,
Eu sorria, já podia levantar a cabeça.
Muitos dos poemas vividos estão distantes, outros descansam,
Mas são inseparáveis e fortes – Petrificam em mim.
Um deles disse que minhas pequenas mãos são bonitas;
Admiram-se até com meus desenhos abstratos.
Eu apenas sou grato a eles.
Não me atrevo a ser um soneto, nem rima perfeita.
Tão-somente, quero esvaziar meus bolsos cheios de sementes
Nesse corredor chamado vida, nesses tempos de colheita.
Jhônatas
