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Arquivo mensal: dezembro 2009

“Pedra de atiradeira”

04h58min da manhã de segunda. Vou registrando meu Diário de insônia e revisitando as notas que há muito não eram tocadas! É… Definitivamente eu agora só troco o rock pela Bossa nova.  De um tempo pra cá venho preferindo a palavra excelência a perfeição, pois um 9 excelente me soa melhor do que um 10 perfeito. No caso dessa música (por mais que minha ideologia me convença), não consigo fugir da palavra perfeição: é um 10 com gosto de 9!

Elis Regina e Tom Jobim – Águas de março

 
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Publicado por em dezembro 21, 2009 em Quartos

 

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Novamente

É sábado de manhã. Tive a oportunidade de dormir quando amanheceu (como de costume), mas acordo às 10 – 10 “pras” 10. Para ir ao banheiro, preciso passar pela cozinha e, passando pela cozinha, preciso me alimentar mesmo sem fome. Eu reparo em volta e vejo uma caixa grande cheia de presentes que pertence à minha irmã; a chamo de mamãe Noel e admiro aquela caixa (já imagino os sorrisos de quem ganharia os presentes). Nos Vemos em volta da mesa com minha mãe e minha outra irmã. Conversamos sobre aqueles presentes. Minha mãe se preocupa com o dinheiro gasto, eu também tento explicar contabilmente como ela deveria ter economizado. Percebo que sou um tolo mesmo, não deveria apenas ficar com os pensamentos de alegria? Deito na rede e minha mãe começa a tocar num assunto que me chateia e seu tom de voz não me agrada. Volto ao meu quarto, mas antes solto uma frase irônica em confronto a tudo que ela me disse. Com a porta trancada, ligo o som e começo a escutar o DVD ao vivo “Time Again” de Amy Grant… Sua música acalma minha alma… Não demora muito, penso sobre tudo que minha mãe disse em suas palavras duras e pré-julgamentos. Ela está certa, eu que estou errado mesmo, mas bem que ela podia conversar de uma forma mais amigável… Não! Pensando bem, não. Essa era a forma certa de me deixar refletindo com mais urgência. Olho para minha estante de livros e um, todo laranja, me chama a atenção. Começo a ler aleatoriamente as palavras que já haviam sido marcadas em outras leituras. Ao passo que virava as páginas me via sorrindo novamente, Deus se fez presente mesmo num dia sem cor… (ah, o livro laranja é ORTODOXIA, de Chesterton). Esse trecho me fez dividir tudo isso e sentir a necessidade de reparti-lo:

“Pelo fato de as crianças terem uma vitalidade abundante, elas são espiritualmente impetuosas e livres; por isso querem coisas repetidas, inalteradas. Elas sempre dizem: “Vamos de novo”; e o adulto faz de novo até quase morrer de cansaço. Pois os adultos não são tão fortes o suficiente para exultar na monotonia. Mas talvez Deus seja forte o suficiente para exultar na monotonia. É possível que Deus todas as manhãs diga ao sol: “Vamos de novo”; e todas as noites à lua: “Vamos de novo”. Talvez não seja uma necessidade automática que torna todas as margaridas iguais; pode ser que Deus crie todas as margaridas separadamente, mas nunca se canse de criá-las. Pode ser que ele tenha um eterno apetite de criança; pois nós pecamos e ficamos velhos, e nosso Pai é mais jovem do que nós. A repetição na natureza pode não ser mera recorrência; pode ser um BIS teatral. O céu talvez peça BIS ao passarinho que botou um ovo.”

 
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Publicado por em dezembro 19, 2009 em Espiritualidade, Pensando pensamentos

 

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“A razão tem asas curtas”

Agora comecei a imaginar… Sonhei acordado que toda razão tem seu amor secreto. Eles não se encontram, apenas vivem em paralelo seus sonhos de encontro. Tão próximos e tão distantes… As convenções da vida elegem a razão como o maestro que deve reger a imaginação. Terminado o concerto, não existe hierarquia. Há apenas uma única canção: João e Maria.   

 

 

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João e Maria

 

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Meu irmão inquisidor

 

A vida do egocêntrico é um foco de sofrimento. O “eu” contra todos – Assim pensa. As pessoas contrárias ao seu ego tornam-se seus oponentes. Ele se percebe separado dos outros, pois sua mente é separatista. E essa é a origem de todas as guerras.

Jesus Cristo viveu essa mensagem: o diferente tem de ser riqueza, vida em comunhão. Difícil é vivê-la, seguir o mestre. Temos que aprender com as diferenças. Afinal, a dor do oriental é igual à dor do ocidental.

Eu sei. Meu irmão inquisidor também sabe. O problema é seu orgulho que não o deixa ser vencido, “humilhado” novamente. Ora, ele aprendeu a se amar primeiro e segundo, quando não sentia o amor de sua mãe. Aprendeu a conquistar lutando, quando muitos desejaram sua queda. E até tentou se apegar a amigos, mas estes os decepcionaram.

Então, todos os dias, ele se reveste com as armaduras da prepotência e, com as máscaras da solidariedade, tenta provar (a todo custo) que os fins sempre justificam os meios. Sua idealização e suas verdades são inquestionáveis. Nesse sentido a democracia é sua inimiga, pois dá muita margem às besteiras dos revolucionários.

Sua melhor estratégia é ser indiferente a mim. Ignorar que seu irmão mais novo possa exercer alguma influência positiva em sua vida. Afinal, “o que um pivete, que eu vi crescer, pode trazer de melhor para essa comunidade além do que eu já trago?” – seu olhar, muitas vezes, me dava essa leitura de mente. Por outras vezes eu tinha a impressão de que me ignorava exatamente por saber que eu poderia ajudar tanto quanto.

Hoje vivemos cada vez mais separados…

A dor da separação é a própria natureza em conflito.  A vida vai nos provar que homem nenhum é uma ilha, assim como uma gota é parte de um oceano.

 

 

 
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Publicado por em dezembro 5, 2009 em Quartos

 

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Publicado por em dezembro 5, 2009 em Quartos

 

“Queremos mentiras novas”

“Alguém escreveu num muro branco da Universidade do Porto, em Portugual, a sua exigência política: “Queremos mentiras novas!”. Quem o escreveu sabia das coisas. Sabia que seria inútil pedir o impossível: “Basta de mentiras!”. Na política, apenas as mentiras são possíveis. Mas ele já estava cansado das mentiras velhas, batidas, como piadas cujo fim já se conhece, que diariamente aparecem nos jornais. Mentiras velhas são um desrespeito à inteligência daqueles a quem são dirigidas. Que mintam, mas que respeitem a minha inteligência! Mintam usando a imaginação! Por isso escrevia, em nome da inteligência, do possível e do humor: “Queremos mentiras novas!”.

Rubem Alves

 
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Publicado por em dezembro 5, 2009 em Quartos

 

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