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Arquivo da tag: Alma

A minha alma é uma pensão!

                  Há um bom tempo não saio de meu quarto. Pra falar bem a verdade, eu fui trancado lá pelos meus hóspedes (Sim, eu sou o dono de uma pensão). Foi consensual, apenas fiz de conta que não queria ser trancado… só que meus hóspedes não são civilizados e estabeleceram o inferno na pensão (eu bem que sabia que isso iria acontecer) com minha cumplicidade, pois minha omissão foi a ação suficiente para tal horror. Eles me libertaram e comecei a fazer a limpeza das coisas imundas que deixaram. Esse momento é um  momento de tristeza, culpa, vergonha e medo, em que o sagrado se transforma em infernal e vai galopando com a sombra refletida  da verdadeira essência perdida. Dizem que os demônios fogem quando seus nomes são ouvidos, mas por quem a pronúncia deverá ser feita? Pelo possuído ou pelo possuidor? Penso que quando o possuído diz seu próprio nome, ele os expulsa (Digo “os” porque às vezes são legiões, ou seriam hóspedes?). A noite se aproxima e não consigo me lembrar como eu me chamo, quem eu sou. Parece que eu preciso de um exorcismo… alguém bate na janela e ao abri-la vejo um menino me chamando pra prosear, ele acha minha camisa bonita! Pergunto seu nome, ele responde: – Remi. A sua alegria me contagia e me faz acreditar que minhas deficiências não são obstáculos, são pontes. Nos despedimos e o incrível é que o exorcismo aconteceu – ele me fez pronunciar o meu nome.

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Publicado por em dezembro 16, 2010 em Espiritualidade, Quartos

 

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Enxergando no escuro

“Disse eu a minh’alma: aquieta-te e deixa

as trevas virem sobre ti,

O que será a escuridão de Deus. …

Disse eu a minh’alma:

aquieta-te e espera sem esperança

Pois a esperança seria esperança pela coisa errada;

espera sem amor

Pois o amor seria amor pela coisa errada; ainda há fé

Mas a fé e o amor e a esperança estão todos eles

no aguardar.”

 

— T. S. Eliot, “East Coker”

 
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Publicado por em agosto 13, 2008 em Pensando pensamentos

 

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Sexta-feira 13, que bênção!

 

Incrível como, ao tornarmos nossos medos vulneráveis, a nossa alma evoca nossos atos de coragem. O guerreiro é voluntário, sua vida se torna viva. Se dispor a sair de nossas zonas de conforto é o começo da bênção, o fim do inferno – aquele que existe quando deixamos de perseguir os nossos sonhos. Um conselho do doador de sonhos para mim e para você:

PERSIGUA SEUS SONHOS!

 
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Publicado por em junho 14, 2008 em Quartos

 

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Café com Letras, num capítulo qualquer.

         

 

               Sou um amante da prosa, dessa forma livre de criatividade, dos versos imperfeitos, da benfeitoria da prosopopéia que humaniza os caprichos do poeta. Carecemos das palavras selvagens, da possibilidade de o dizer e o pensar. Não obstante, vez por outra, nos prendemos aos versos, servos do interlúdio poético, como passagem à música regente da prosa. Essa verdade vestida, tão Cristã!

 

Ensandeço, sim! Prudentemente, sobretudo, nas parábolas, nos contos, onde sutilmente nossa alma é penetrada, sondada, pela imortalidade do conhecer-se.

 

Se deveras me torno ambíguo, é porque a naturalidade das coisas se mostra por meus tons abstratos, por minhas bolhas quadradas… Faço festas, convido os pensamentos num sarau em círculos e cantamos nesse voluntário ritual. Afinal, pássaros selvagens sempre retornam ao pomar dos que os alimentam pelo simples prazer de alimentar.     

 

 

 
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Publicado por em maio 22, 2008 em Quartos

 

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