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Meu irmão inquisidor

 

A vida do egocêntrico é um foco de sofrimento. O “eu” contra todos – Assim pensa. As pessoas contrárias ao seu ego tornam-se seus oponentes. Ele se percebe separado dos outros, pois sua mente é separatista. E essa é a origem de todas as guerras.

Jesus Cristo viveu essa mensagem: o diferente tem de ser riqueza, vida em comunhão. Difícil é vivê-la, seguir o mestre. Temos que aprender com as diferenças. Afinal, a dor do oriental é igual à dor do ocidental.

Eu sei. Meu irmão inquisidor também sabe. O problema é seu orgulho que não o deixa ser vencido, “humilhado” novamente. Ora, ele aprendeu a se amar primeiro e segundo, quando não sentia o amor de sua mãe. Aprendeu a conquistar lutando, quando muitos desejaram sua queda. E até tentou se apegar a amigos, mas estes os decepcionaram.

Então, todos os dias, ele se reveste com as armaduras da prepotência e, com as máscaras da solidariedade, tenta provar (a todo custo) que os fins sempre justificam os meios. Sua idealização e suas verdades são inquestionáveis. Nesse sentido a democracia é sua inimiga, pois dá muita margem às besteiras dos revolucionários.

Sua melhor estratégia é ser indiferente a mim. Ignorar que seu irmão mais novo possa exercer alguma influência positiva em sua vida. Afinal, “o que um pivete, que eu vi crescer, pode trazer de melhor para essa comunidade além do que eu já trago?” – seu olhar, muitas vezes, me dava essa leitura de mente. Por outras vezes eu tinha a impressão de que me ignorava exatamente por saber que eu poderia ajudar tanto quanto.

Hoje vivemos cada vez mais separados…

A dor da separação é a própria natureza em conflito.  A vida vai nos provar que homem nenhum é uma ilha, assim como uma gota é parte de um oceano.

 

 

 
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Publicado por em dezembro 5, 2009 em Quartos

 

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Não consegui resistir…

Mais um aforismo do Rubem:

“Convicções são entidades mais perigosas que os demônios”

 
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Publicado por em outubro 29, 2008 em Pensando pensamentos

 

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Árvores… Um ótimo pseudônimo!

“Não quero ser um deus ou um herói, apenas tornar-me uma árvore, crescer um longo tempo, e não ferir ninguém”.(Czeslaw Milosz)

Sem desmerecer o pensamento autobiográfico deste admirável poeta, antes arrendando ao meu, fico a pensar que uma árvore pode indiretamente ferir pessoas. Talvez essa seja uma justificativa irônica, pois só assim consigo entender o desmatamento, o arrancar de árvores que não querem ferir ninguém. Árvores mal interpretadas que são vistas como deuses em exibição, heróis com segundas intenções, hereges com uma visão errônea, revolucionários sem mérito, sensíveis demais, e outros “bla, bla, bla”.

Árvores que incomodam, afinal em um meio urbano, árvore que cresce atrapalha, prejudica o bem social, então por um bem maior,  e como “os fins justificam os meios”, o sacrifício de ferir uma árvore é mais que válido, é fundamental.

Pura demagogia. Quanta democracia disfarçada! É coerente que toda democracia necessite de um controle, mas um controle harmonioso e não cortante.

Em nome desse controle a ordem não pode ser questionada, não se vive o que muito se prega, o “ganhar o teu irmão” escrito nas escrituras sagradas em Mateus 18.15 é sufocado, pois não se precisa mais de diálogos, conciliações, já se tem a ordem e ela é condição sinequanon, ou seja, árvores que devem ser cortadas. Estão crescendo demais… O que isso acarretará?

Em meio aos meus pensamentos imperfeitos, imagino que essas árvores não têm nem a escolha do suicídio (e Aleluia por isso), pois sua natureza é enraizada, mesmo que sua raiz fique bamba e morra, não acredito que ela morra totalmente. Se ainda existir um “cheiro” de água ela ainda estará lá. Mesmo cortada, algum vestígio de sua raiz dará vida, talvez a outra árvore.

E assim, sem poder se defender, sem querer ferir ninguém, ela continua sua jornada, ela cresce. Até o dia que plenamente alcance o céu, ou simplesmente o coração das almas cortantes.

 

Jhônatas Cabral 

 
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Publicado por em janeiro 24, 2008 em Espiritualidade

 

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