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Ephemeroptera

Que derradeiro pensamento terei antes do último suspiro de vida?

Independentemente do querer ser poder, quero que seja uma lembrança sem lamento; Melhor, várias lembranças.

Aquilo que vier da memória de uma criança, pessoas. O bem que fizeram acima do mal, retalhos de timbres, sorrisos, lágrimas, mãos. Sentir um pensamento de afeto ali mesmo entre o último e o primeiro suspiro. Lembrar talvez da resistência em vir ao mundo e da resistência de sair dele. Rir desses paradoxos e descobrir que não dá para descobrir tudo, tão-somente imaginar. Perceber a proximidade do início e do fim e a distância enorme que obtive de pessoas próximas, e já não precisar saber de mais nada a não ser aceitar o que o cérebro programa através da junção de lembranças e sentimentos.

No último suspiro de vida talvez não reste tanto tempo assim, até porque o tempo de tudo isso já foi vivido. Se praticado ou não, se pensado ou não, o fato é que penso agora sobre essa tríade: passado, presente e futuro. Acho que sou melhor na leitura dos espaços das mãos do que de suas linhas. Acho que convicção é, sobretudo, achar o sentido da busca e não encontrar o que se procura, assim como a importância do percurso e a clareza das atitudes humanas. Mas o agora já não existe mais. E agora? Não ouso afirmar, porém certas perguntas não carecem de respostas, o tesouro escondido está bem achado diante da forma de visão que se tem, a qual também nem precisa de olhos. É prazeroso brincar com a confusão, principalmente quando tudo não passa de simplicidade, apenas um suspiro, uma respiração, um pensamento derradeiro. 

Jhônatas Cabral

 
1 comentário

Publicado por em setembro 2, 2008 em Perguntas precisam de respostas?

 

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