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Um pretexto pra falar de Jesus

Na maioria das vezes que viajamos rumo a lugares agradáveis, atraentes ou puramente desejados e deixamos nossas casas com um certo olhar de orgulho por “sairmos da rotina” ou por respirarmos ares menos “sufocantes”, logo, ao passar dos dias, percebemos que aonde formos, quando a adrenalina ou a aventura não satisfazer mais, desejaremos a volta.

Numa certa entrevista, Rubem Alves disse que deu o seguinte conselho a um de seus clientes ( na época em que exercia psicanálise em seu consultório) sobre uma possível separação conjugal:

“Se o relacionamento estiver podre, num total desgaste, separe. Mas, se você estiver apaixonado por outra mulher não separe, pois na semana que vem tudo vai ser a mesma coisa”

Trazendo uma metáfora de Jesus à tona, pude perceber ali, entre a saudade de um filho e o amor de um pai, um desejo encontrado – A volta do filho pródigo. Para quem não conhece a parábola ou para quem sabe “de có e salteado”, vou reapresentá-la de forma poética através da canção “Fim de tarde no portão” de Stênio Március:

“Fim de tarde no portão
A cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento

Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar
Quem diziam já estar perdido

O seu amor é tão forterembrandt14
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil secar os mares
Apagar a estrela Antares
Que arrancar o amor de seu coração
Fim de tarde se debruça no portão

Mas um dia aconteceu
E o moço retornou mendigo
O pai depressa correu
E abraçou o filho tão querido

Tragam roupas e o anel
Calçem logo os seus pés, milagre!
Vinho do melhor tonel
Tanta alegria em mim não cabe

O seu amor é tão forte…
Fim de tarde, está deserto o portão”.

Imagino que a vocação de Deus seja amar debruçadamente nos portões de nossa consciência, esperar nossa volta com desejo de vida. Como a paz que sentimos no colo de mãe, assim que nascemos, seus gestos são análogos: Não existe dor de parto a ser lembrada, há um desejo ardente de abraçar, sentir.

O mar do esquecimento é o lugar onde Deus coloca nossa rebeldia, egoísmo, nossa ambição de sermos deuses, nossos desejos de morte… O sangue de Cristo, naquela cruz, propagou essa “teimosia de paixão”, perdão.

Aquele pai da parábola simboliza também a maravilhosa graça de Deus comum a todos. Não a “todos que” (tive que apagar o “que” porque não há restrição). Ele está lá, fim de tarde no portão, pronto a nos receber maltrapilhos ou não, como somos e estamos. O condicionamento é nosso, a maçaneta da porta só se abre por dentro.

Ele não está longe, mas e nós? Estamos longe dEle?

Jhônatas Cabral

 
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Publicado por em dezembro 1, 2008 em Cristianismo, Espiritualidade, Quartos

 

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Desejo perdido

Lembro-me de quando comecei ler a bíblia ainda criança: era mais um desafio de colegas em lê-la toda primeiro a desejar sua leitura. É claro que não a li por completo e parei logo após o livro de Levíticos. Anos mais tarde, ganhei um novo testamento ilustrado e, como num toque de mágica, descobri a poesia de Jesus e suas estórias e histórias.

Eu abracei a fé cristã ali, numa metáfora qualquer de Cristo, pois ele proporcionou a travessia da prosa em minha mente. Ele apresentou enigmas, suas palavras me atraíram a desvendar os mistérios das minhas dúvidas, os vários reflexos de espelho dos meus olhos.

Como diz a linda canção de Stênio Március:    

“Minha vida é obra de tapeçaria
É tecida de cores alegres e vivasmenino3
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes

Se você olha do avesso
Nem imagina o desfecho
No fim das contas
Tudo se explica
Tudo se encaixa
Tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo
Muda-se logo a expressão do rosto
Obra de arte pra honra e glória
Do Tapeceiro”

Estou redescobrindo que posso voar com Jesus assim como fazia em meus primeiros versos de gratidão quando criança. É como diz meu escritor preferido (o Rubem): “O espiritual é um espaço dentro do corpo onde coisas que não existem, existem”. Concordo também com Nietzsche: “Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar”, ou seja, um Deus vento…

Aqui eu sugiro que você pare um pouco e visualize a liberdade. Você quer voar?

Uma grande amiga certa vez me disse que, comumente, sonhava voando e confesso que, desde essa nossa conversa, venho tentando sonhar do mesmo jeito, mas ainda não consegui. No entanto, sonho assim de olhos abertos. Em cada sonho doado por Deus as pedras, que me fazem ser pesado, desaparecem.

Jesus, mais que respostas, nos trouxe perguntas. Diante de um grande mestre e PhD em leis religiosas chamado Nicodemos, ele falou “Na verdade, na verdade, te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.”(João 3.3)

Uma pane mental, uma incoerência, algo que saia na contramão da razão, fez Nicodemos perguntar com aquela pitadinha de sarcasmo: “Como pode um homem nascer sendo velho?” Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?”(João 3.4)

Os inquisidores têm horror ao vento, querem engaiolá-lo. Jesus ofereceu a Nicodemos a poesia, palavras que nos fazem alçar vôos:

“O vento assopra aonde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do espírito” (João 3.8)   

 Jesus, como num discurso poético, apresentava às pessoas o que faltava no mundo real, o desejo do que se perdeu. A cura da tristeza que sentimos quando todas as coisas como casa, um amor verdadeiro, automóvel, etc. São conquistadas, satisfeitas.

E para dar pausa à minha prosa para que você comece a sua, cito mais uma vez o Rubem:

“Espiritualidade: a busca desse desejo perdido, desejo de vida, que nos libertaria dos desejos de morte que nos petrificam…

É preciso Voar…”  

 

Jhônatas Cabral

 

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Quando a música não precisa parar

 

   Um rabi perguntou a seus alunos: “Quando é que dá, ao amanhecer, para distinguir a luz das trevas?” Um estudante respondeu: “Quando distingo um bode de um macaco”. “Não”, respondeu o rabi. Um outro disse: “Quando eu distingo uma palmeira de um figo”. “Não”, respondeu o rabi de novo. “Bem, então qual é a resposta?”, seus alunos o pressionaram. “É quando você se olha no rosto de cada homem e de cada mulher e se vê nele seu irmão e sua irmã”, disse o rabi.”Só então você viu a luz. Tudo o mais é treva”

 (um conto hassídico in War: A Call to Inner Peace).

 

Num conto, em um poema ou em qualquer arte, o mais importante nem sempre é o que seu criador quis expressar, mas aquilo que sentimos ou refletimos, desejamos ou repudiamos. Aquela janela que se abre – o despertar de nossas perguntas.

Um olhar que retribui aquilo que doamos a alguém nos deixa sem palavras, carentes de mais uma oportunidade de ser útil. A maioria das teorias são incompletas, precisa daquilo que temos a adicionar. E  se nossa taça estiver cheia, transbordando, carecemos de encher outras taças. Mas se nossas taças estiverem vazias, o milagre pode acontecer.

Leonardo Boff certa vez disse que o maior de todos os milagres de Jesus foi a transformação da água em vinho, pois Ele não deixou que a festa acabasse.

O vinho que faltou simbolizava não apenas a vergonha de um pai diante de seus convidados e do sorriso de sua filha noiva, mas também o fim do sonho, o fim da festa. Porém, Jesus, o amigo da festa, o amigo dos sonhos, estava ali. Ele mandou encher as talhas de água e logo o melhor vinho, o mais raro que alguém já provara foi servido. A música não precisou parar.

Feliz é aquele que pode distinguir a luz das trevas, que não deixa de olhar nos olhos uns dos outros e de encher suas taças, principalmente, quando estiverem vazias. Feliz daquele que, de repente, adentra nas casas vazias de afeto e vida e abre as janelas e nos mostra o céu estrelado, uma lua não mais rancorosa.

 

Jhônatas Cabral

 
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Publicado por em outubro 3, 2008 em Espiritualidade

 

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Já Assisti (6x)!

Não poderia deixar de expressar e dividir algo tão gracioso em minha vida. Há, aproximadamente, 10 anos tive a oportunidade de “ver” Cristo por uma lente mais humana, e para minha surpresa, uma lente mais divina.

O sentido: Não existe lógica em não amar alguém que me ama tanto.

A quem não assistiu, sem preocupações, não irei narrá-lo. Porém, defendê-lo!

A citação inicial de Nikos Kazantzakis é fantástica: “A dualidade da natureza de Cristo – a necessidade, tão humana, tão sobre-humana, do homem de atingir a Deus – tem sido um mistério profundo e insondável para mim. Minha principal angústia e a fonte de todas minhas alegrias e sofrimentos desde a juventude tem sido a incessante, impiedosa batalha entre o espírito e a carne… e minha alma é a arena onde estes dois exércitos têm lutado”.  

Existe um comentário, também no início, que afirma: “O filme não é baseado nos evangelhos”… Para mim, é o filme mais bíblico que já assisti. Ou seria o mais Cristão?

Um conselho: se for assistir, assista até o fim.  É incrível como a maioria das pessoas despreza o sentido, a temática, o nexo espiritual, apenas por não se apresentar de forma “convencional”. Eu brinco dizendo que é preciso primeiro beijar o sapo para “transformá-lo” em príncipe.

Minha tese de defesa? Quais vocês preferem?

Jesus, homem, filho do Homem, Deus encarnado, carpinteiro também de cruzes, venceu todas as tentações, amou mais que qualquer um, pensou, desejou, ficou em dúvida em alguns momentos, sorriu, chorou, foi amigo, queria os abraços dos amigos, a vida de Cristo antes dos 30 anos, etc. Acho que tenho muitas, no entanto, formalizo uma:

O filme não minimiza a Cristo, o maximiza!

Convido-os, em seus pontos de vista, a amolecerem os corações a fim de perceberem quão profunda foi sua decisão de amar.

 

 Jhônatas Cabral

 
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Publicado por em agosto 3, 2008 em Sobre filmes e reflexos

 

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