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Arquivo mensal: fevereiro 2008

Tarde

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Fim de tarde,
Pajuçara.
Contempláva-mos duas crianças:
Uma velha, uma nova.
A velha passeava a passos calmos,
com sua bengala.
A nova agitava os passos dos pais
com seu sorriso de aventura.
Lembrei-me de uma frase de T.S.Elliot,
pensei em recitá-la a ela.
Era tarde demais.
Ela ouviu meu timbre por meus olhos:
“O fim de toda a nossa exploração
Será chegar ao ponto de partida
E conhecê-lo pela vez primeira.” 

 

Jhônatas Cabral

 
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Publicado por em fevereiro 21, 2008 em Poemas

 

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“Até as pedras clamarão”

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“Ás vezes Deus me tira a poesia.Olho pedra, vejo pedra mesmo”. (Adélia Prado) Não consigo imaginar isso pra mim. Percebi o que Adélia quis expressar: Um deserto, um silêncio depressivo. Mas como Deus tira a poesia? Muitas de nossas lamentações são poesias, os salmistas comprovam muito bem. A pedra bruta é poética, é simples, me arranca sorrisos, vejo um milagre, não pode ser condenada por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, até porque o rir não é superior ao choro. Às vezes encontramos a cura da alma nessas pedras… Não é necessário transformá-la em magia ou algo sobrenatural e sim, construir algo, sermos artistas das coisas incompletas, das coisas cruas que temos o prazer de inventar, recriar e prosear. Ver o mundo com a cegueira das coisas já vistas, parar um pouco, refletir e concordar que há sempre algo despertador no mundo das coisas antigas, há riquezas nos mercados, na simplicidade de seres brutos. Tudo até pode está no mesmo lugar, contudo há sempre algo novo a perceber. Em 1994, após anos de silêncio poético, sem nenhuma palavra, nenhum verso, ressurge Adélia Prado com o livro O homem da mão seca. Conta a autora que o livro foi iniciado em 1987, mas, depois de concluir o primeiro capítulo, foi acometida de uma crise de depressão, que a bloquearia literariamente por longo tempo. Disse que vê “a aridez como uma experiência necessária” e que “essa temporada no deserto” lhe fez bem. “O que se passou? Uma desolação, você quer, mas não pode. Contudo, a poesia é maior que a poetisa, e quando ela vem, se você não a recebe, este segundo inferno é maior que o primeiro, o da aridez.” (Adélia Prado)

 

 

Jhônatas Cabral

 
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Publicado por em fevereiro 19, 2008 em Poemas

 

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Um caminho Inverso

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“Só quando se vêem os próprios erros através de uma lente de aumento, e se faz exatamente o contrário com os erros dos outros, é que se pode chegar à justa avaliação de uns e de outros.” (Gandhi)
      
     Um caminho inverso diante dos caminhos enganosos do coração. Um caminho que atravessa as avenidas para se chegar a Deus. Um caminho que nos integra com o sentido da vida.
    Amor: Muito mais que palavras – Tijolos. Um a um, a cada ato construindo um caminho contrário, o caminho do “dar a outra face” também. Ser Cristão pegando uma contramão.
    Cristianismo? Não me parece uma religião, me parece uma extensão de Cristo, o tal caminho inverso, se assim precisamos de definições, espiritualidade.
    Além dos nossos desvios dos paradigmas de Cristo, existe o despertar transformado em ação. O qual poderemos ser perfeitos sem sermos literalmente. Mas afinal o que seria essa perfeição? Uma resposta possível: Coragem.
     Coragem de não ser violento quando se pode ser, coragem de buscar seguir os ideais de Cristo mesmo percebendo o quão longe estamos deles. Coragem em se dispor a tudo isso mesmo quando nossa arma seja nossos corpos em marcha sem armas.
     Alcançar os corações sempre foi o mais difícil. Mas Cristo o fez, deixou seu legado a outras doze pessoas, das doze para mais treze e assim por diante. Uma mensagem sempre viva que se renova em cada reflexão e em cada atitude. Gandhi, a mulher que limpa banheiros, você, eu, o próximo…
     Mateus 5.43,44: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Fazei o contrário, amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”.
    Como praticar isso? Talvez o amar seja algo mais simples, contudo não ouso responder, prefiro as verdades vestidas como as parábolas: “Para se chegar no topo de uma montanha precisamos apenas de um primeiro passo”. Pequenos gestos, poucas palavras, um olhar, um silêncio. O ideal e o real cantando uma mesma canção.
     Nem sei o porquê desse discurso, mas sei das conseqüências espirituais de tudo isso: Viver um propósito, trilhar um caminho contrário, ajudar outras almas, dar sentido à vida, perdoar, amar.
Jhônatas Cabral
 
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Publicado por em fevereiro 10, 2008 em Quartos

 

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Retiro Espaço pra Vida

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                    Fevereiro de 2008, um lugar.
Quando nos voltamos pra Deus e nos achamos numa só comunhão, a alegria do cuidado é renovada, a fé e o acreditar que o bem vale a pena ser feito se torna uma condição natural. Encontramos nesse mesmo lugar cada vez mais espaço: diferenças são complementos, compartilhar o pão é viver a liberdade.
 
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Publicado por em fevereiro 10, 2008 em Quartos

 

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Ir mais além

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O teste da observância dos ensinos religiosos exteriores é se nossa conduta se conforma ou não com seus decretos (observar o sábado; ser circuncidado; entregar o dízimo). Tal conformidade é realmente possível.

O teste da observância dos ensinos de Cristo é a consciência de nosso fracasso em atingir a perfeição ideal. O quanto nos aproximamos dessa perfeição não é mensurável; tudo que podemos ver é o tamanho de nosso desvio.

Um homem que professa uma lei exterior é como alguém que está diante da luz de uma lanterna pendurada num poste. Há luz em toda a sua volta, mas ele não pode ir a lugar algum. Um homem que professa os ensinos de Cristo é como alguém que carrega uma lanterna diante de si em um poste longo, ou mesmo não tão longo: a luz está diante dele, sempre iluminando lugares novos e sempre encorajando-o a ir mais além.”    (Tolstoi)

 
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Publicado por em fevereiro 9, 2008 em Espiritualidade

 

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Filosofia: rima com poesia.

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Além da curva é a vida que se apresenta a cada segundo.

                                                       Segundo o que a vida

                                                                           apresenta além do Se.

 

Jhônatas Cabral

 
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Publicado por em fevereiro 9, 2008 em Poemas

 

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qual o ‘slogan’ apropriado?

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Publicado por em fevereiro 9, 2008 em Humor é tempero