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Vaga-lumes adormecidos

Senti necessidade de compartilhar meus passos atuais nessa nova travessia da minha vida. Pessoas como William Douglas, Rubem Alves, Jesus e todos os meus poemas vividos (Gente que me fez acreditar em mim mesmo), têm sido velas – e no caso de Jesus, o sol –, cujas salas escuras do meu ser já podem ser visitadas.

 

Talvez o que seja difícil para mim seja fácil para outrem, mas o fato é que só sentimos fome em nossas próprias barrigas. O tempo é tão singular e se apresenta de forma variada para cada um (deixem-me explicar essas minhas aparentes contradições). Penso que, em determinado tempo de nossas vidas, nossas escolhas a tomar produzem fardos pesados, incômodos e angústias ao adiarmos fazer o que amamos. E esse é um momento tão ímpar, possessivo, no sentido de não mais sonharmos os sonhos dos outros e/ou não aceitarmos as convenções de nossa sociedade – o “ter” como essência de uma vida próspera. Uma parada, um silêncio, uma “olhada” nas certezas que nos deixam seguros e duas olhadas nas incertezas de nossos vôos. O que será que existe por trás daquela curva? Eu quero atravessá-la, mas…

 

Pois bem, tento não pronunciar essa palavra em minhas atitudes. O “mas” era uma chave que me trancava, abatia, me limitava. Existe uma sutil e óbvia diferença entre tomar uma decisão e agir. A ação é dizer ao “mas” que ele não te escraviza mais. É quando vemos nossa conta bancária diminuir a cada dia e transformamos o “mas” negativo em positivo. É sentir-se motivado por esse combustível chamado de amor e pelo tesouro o qual é depositado em nossa alma quando achamos um “eu” sem máscaras, um lugar dentro de nós que acende todos os vaga-lumes adormecidos, onde já podemos sair com a roupagem verdadeira.

 

E tanta coisa aparece para nos desanimar e pensarmos como escravos novamente (Faço alusão ao povo hebreu que fugiu da escravidão no Egito e atravessou o deserto. Dias depois, em meio ao sofrimento e às perdas, reclamavam e diziam que suas vidas, como escravos, eram melhores do que todas as privações daquele momento. Penso que eles questionaram erroneamente. Não era por quê tudo aquilo? E sim para quê tudo aquilo?)

 

A célebre frase atribuída a Sócrates cai bem: “Conhece-te a ti mesmo”. É muito difícil chegarmos à conclusão de que muita coisa em nós é falsa, ou termos a humildade de reconhecermos nossa ignorância. Aquilo que percebemos não necessariamente é a verdade. Quem sabe ainda vivemos em uma caverna, desta feita uma enorme caverna?

 

Nessa nossa prosa, só queria expressar que, paradoxalmente às perdas optadas, estou amando. Já faço muito mais o que gosto sem os holofotes ou sem o “status” que aprendemos desejar. Quero ter a fome e a sede de aprender e já entendo a Adélia Prado quando diz: “Não quero a faca, nem queijo. Quero a fome!”. Ela quer ter o desejo do queijo e lutar por ele.

 

Que sejamos amadores!

 

 

Jhônatas Cabral

 

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Publicado por em março 27, 2009 em Quartos

 

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Quando se faz de conta que não sabe

Escrevo mais um pensamento: o de imaginar certas pessoas que não são “nada” e ao mesmo tempo são tão únicas e especiais.

A anciã poetiza, o jardineiro espiritual, o coletor de lixo profeta… Acho que era isso que Fernando Pessoa, ou melhor, Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, quis expressar:

 “Mas o contraste não me esmaga – liberta-me; e a ironia que há nele é sangue meu. O que devera humilhar-me é a minha bandeira, que desfraldo; e o riso que deveria rir de mim, é um clarim com que saúdo e gero uma alvorada em que disfarço. A glória noturna de ser grande não sendo nada! A majestade sombria de esplendor desconhecido… E sinto, de repente, o sublime do monge no ermo, do eremita no retiro, inteirado da substância de Cristo nas pedras e nas cavernas do afastamento.”  

É gratificante quando podemos responder várias perguntas complexas, místicas, psíquicas, filosóficas, teológicas… Ou seria pura besteira? Melhor mesmo é quando nos fazemos de tolos, abrimos mão do falar e só ouvimos, desenhamos na areia, vivemos os sonhos dos outros ou percebemos que diferença é soma.

Ao brincarmos com crianças, fazendo-lhes perguntas, ficamos satisfeitos com suas respostas. No mínimo, conquistam nossos sorrisos. Algumas gostam de inverter os papéis ou, do que chamam,  “brincar de professor”… O barato, é fazer de conta que não sabemos, é ser apenas um aprendiz.

Enfim, quando o poder de não exercer o poder for algo a se desejar, não precisaremos das glórias dos homens, tampouco do nosso orgulho; ansiaremos poucas coisas até. Tentaremos esquecer menos dos nomes daqueles que julgamos não serem tão importantes e nos aqueceremos mais do frio. Afinal, os ombros estarão bem mais próximos.

 

Jhônatas Cabral    

 
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Publicado por em outubro 17, 2008 em Quartos

 

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