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Quando a música não precisa parar

 

   Um rabi perguntou a seus alunos: “Quando é que dá, ao amanhecer, para distinguir a luz das trevas?” Um estudante respondeu: “Quando distingo um bode de um macaco”. “Não”, respondeu o rabi. Um outro disse: “Quando eu distingo uma palmeira de um figo”. “Não”, respondeu o rabi de novo. “Bem, então qual é a resposta?”, seus alunos o pressionaram. “É quando você se olha no rosto de cada homem e de cada mulher e se vê nele seu irmão e sua irmã”, disse o rabi.”Só então você viu a luz. Tudo o mais é treva”

 (um conto hassídico in War: A Call to Inner Peace).

 

Num conto, em um poema ou em qualquer arte, o mais importante nem sempre é o que seu criador quis expressar, mas aquilo que sentimos ou refletimos, desejamos ou repudiamos. Aquela janela que se abre – o despertar de nossas perguntas.

Um olhar que retribui aquilo que doamos a alguém nos deixa sem palavras, carentes de mais uma oportunidade de ser útil. A maioria das teorias são incompletas, precisa daquilo que temos a adicionar. E  se nossa taça estiver cheia, transbordando, carecemos de encher outras taças. Mas se nossas taças estiverem vazias, o milagre pode acontecer.

Leonardo Boff certa vez disse que o maior de todos os milagres de Jesus foi a transformação da água em vinho, pois Ele não deixou que a festa acabasse.

O vinho que faltou simbolizava não apenas a vergonha de um pai diante de seus convidados e do sorriso de sua filha noiva, mas também o fim do sonho, o fim da festa. Porém, Jesus, o amigo da festa, o amigo dos sonhos, estava ali. Ele mandou encher as talhas de água e logo o melhor vinho, o mais raro que alguém já provara foi servido. A música não precisou parar.

Feliz é aquele que pode distinguir a luz das trevas, que não deixa de olhar nos olhos uns dos outros e de encher suas taças, principalmente, quando estiverem vazias. Feliz daquele que, de repente, adentra nas casas vazias de afeto e vida e abre as janelas e nos mostra o céu estrelado, uma lua não mais rancorosa.

 

Jhônatas Cabral

 
3 Comentários

Publicado por em outubro 3, 2008 em Espiritualidade

 

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Leonardo Boff certa vez disse:
“Cada um lê com os olhos que tem.
 E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto.”
Nesses dias de gerenciamento mental, há sempre muito a arrumar.
O bom é que já não fico só com a intenção,
pois ela precisa morrer para nascer a realidade.
É quando admitimos fraquezas que expandimos o que há de melhor em nós.
Se não fossem elas, como reconheceríamos a necessidade uns dos outros?
Negar o sofrimento, nosso e alheio, é se distanciar do [ser humano].
Ainda bem que “existe” a kriptonita para aqueles que se acham super-homens, ela promove a igualdade.
E com essa igualdade nós, pessoas “diferentes”, nos sensibilizamos com a dor dos outros e percebemos que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”.
Onde enraizamos os nossos pés?
Jhônatas Cabral
 
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Publicado por em março 10, 2008 em Pensando pensamentos

 

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