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Tempus fugit

duas crianças

Tive vontade de pedir autorização para tirar essa foto, mas fiquei com receio de não sair bem natural. Espero não ser processado.

Vejo duas crianças brincando de balanço – uma criança nova e outra velha. O mestre Quintana expressou bem o tempo que passa cada vez mais depressa:

“Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª feira… Quando se vê, passaram 60 anos!” (Mário Quintana, “Seiscentos e sessenta e seis”)

Eu gosto de fazer poemas sem pensar imediatamente, visualizo primeiro. Essas duas crianças viraram poesia e nem as agradeci (Acho que por isso volto ao local de vez em quando para tentar vê-las novamente).

Sim, os balanços foram feitos para as crianças balançarem os adultos. A lembrança da praça voltou. Havia uma praça que eu gostava muito de ir quando criança. Negociava com o tempo para que logo ele apresentasse “o dia da praça”. O dia que me fazia ser um pássaro, encontrar outras espécies e dividir as bicicletas… O dia que meu pai virava o meu herói preferido quando dizia – “Vamos para a praça hoje”. Eu podia balançar minha mãe, vê-la sorrir, olhar como formiga num mundo gigante, sentir o vento, me apresentar para as flores e borboletas, brincar de pega-pega com minha irmã… No fim da tarde, ao voltar pra casa, via aquela praça ficar distante, miúda até não vê-la mais. A praça não me obedecia, eu a mandava vir comigo, mas ela não vinha… Eu tinha consciência de que os momentos felizes iriam terminar quando entrássemos em casa.

As duas crianças da foto trouxeram a praça até mim.

 

Jhônatas Cabral 

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Publicado por em novembro 5, 2008 em Fotografias, Quartos

 

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O personagem-narrador leva o verbo normalmente à primeira pessoa.

Lembro-me que, após descer as escadas de casa um homem olhou ternamente em meus olhos respirou fundo duas vezes, fazendo-me desviar o olhar, dizendo: –  Papai vai viajar, viu? E, apressadamente, meu tio o acompanha até a porta… Sem muito entender, subi para perguntar à minha mãe para onde o papai ia… E me recordo daquela cena… Acho que eu entendia, mas não queria entender e me lembro bem que minha reação foi apenas sorrir. Creio que pra mim foi algo tão forte e impactante que minha defesa mental e física aflorou, a partir daí, um garoto intrínseco.
 
Eu era a causa das brigas, o culpado daquilo! Caramba o quanto eu pensei nisso e cada atitude minha dali por diante foi uma aceitação disso. Minha mente culpável me causou muitos danos, mas pela graça de Deus meu pai não desistiu de seus filhos, assim como seu casamento, e aprendemos juntos a lição do amor, se assim posso resumir anos de mágoas e soluços. Mas quando tiramos os lamaçais de nossos olhos e nos colocamos nos lugares dos outros, abrimos um novo horizonte para ver lindas pessoas, corações generosos, dias de liberdade!
 
Num dos nossos passeios pela orla de Pajucara, com meus seis, sete anos de idade, meu pai olhou pra gente (eu e minha irmã) viu com certeza crianças obedientes, cabelos penteados, roupinhas por dentro e cabeças baixas olhando pro chão. Subitamente, ao passar por um gramado na entrada de uma casa grande, deitou-se na grama fazendo palhaçada e nos chamou pra fazer “a festa”… Enquanto minha irmã não pensou duas vezes eu o indagava com a mesma vontade de pular em cima dele: – Painho pode não, tem ali dizendo oh   NÃO PISE NA GRAMA. E me lembro como se fosse hoje sua resposta:  – QUE NADA VEM LOGO. Uma explosão de felicidade, que posso sentir nesse exato momento.
 
 
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8 – 32).
Jhônatas Cabral
 
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Publicado por em maio 20, 2008 em Quartos

 

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