RSS

Arquivo da tag: Espiritualidade

Desejo perdido

Lembro-me de quando comecei ler a bíblia ainda criança: era mais um desafio de colegas em lê-la toda primeiro a desejar sua leitura. É claro que não a li por completo e parei logo após o livro de Levíticos. Anos mais tarde, ganhei um novo testamento ilustrado e, como num toque de mágica, descobri a poesia de Jesus e suas estórias e histórias.

Eu abracei a fé cristã ali, numa metáfora qualquer de Cristo, pois ele proporcionou a travessia da prosa em minha mente. Ele apresentou enigmas, suas palavras me atraíram a desvendar os mistérios das minhas dúvidas, os vários reflexos de espelho dos meus olhos.

Como diz a linda canção de Stênio Március:    

“Minha vida é obra de tapeçaria
É tecida de cores alegres e vivasmenino3
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes

Se você olha do avesso
Nem imagina o desfecho
No fim das contas
Tudo se explica
Tudo se encaixa
Tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo
Muda-se logo a expressão do rosto
Obra de arte pra honra e glória
Do Tapeceiro”

Estou redescobrindo que posso voar com Jesus assim como fazia em meus primeiros versos de gratidão quando criança. É como diz meu escritor preferido (o Rubem): “O espiritual é um espaço dentro do corpo onde coisas que não existem, existem”. Concordo também com Nietzsche: “Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar”, ou seja, um Deus vento…

Aqui eu sugiro que você pare um pouco e visualize a liberdade. Você quer voar?

Uma grande amiga certa vez me disse que, comumente, sonhava voando e confesso que, desde essa nossa conversa, venho tentando sonhar do mesmo jeito, mas ainda não consegui. No entanto, sonho assim de olhos abertos. Em cada sonho doado por Deus as pedras, que me fazem ser pesado, desaparecem.

Jesus, mais que respostas, nos trouxe perguntas. Diante de um grande mestre e PhD em leis religiosas chamado Nicodemos, ele falou “Na verdade, na verdade, te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.”(João 3.3)

Uma pane mental, uma incoerência, algo que saia na contramão da razão, fez Nicodemos perguntar com aquela pitadinha de sarcasmo: “Como pode um homem nascer sendo velho?” Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?”(João 3.4)

Os inquisidores têm horror ao vento, querem engaiolá-lo. Jesus ofereceu a Nicodemos a poesia, palavras que nos fazem alçar vôos:

“O vento assopra aonde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do espírito” (João 3.8)   

 Jesus, como num discurso poético, apresentava às pessoas o que faltava no mundo real, o desejo do que se perdeu. A cura da tristeza que sentimos quando todas as coisas como casa, um amor verdadeiro, automóvel, etc. São conquistadas, satisfeitas.

E para dar pausa à minha prosa para que você comece a sua, cito mais uma vez o Rubem:

“Espiritualidade: a busca desse desejo perdido, desejo de vida, que nos libertaria dos desejos de morte que nos petrificam…

É preciso Voar…”  

 

Jhônatas Cabral

Anúncios
 

Tags: , , , , , , , , , , ,

Um livro que comerei com um enorme prazer!

2347957

Em estado de êxtase, numa livraria, vi a capa da edição centenária de ORTODOXIA de G.K. CHESTERTON. Comecei a ler as primeiras palavras e quando me dei conta, já fazia o pagamento no caixa ansiosamente.

 

“Essa é a emocionante aventura da ortodoxia. As pessoas adquiriram o tolo costume de falar de ortodoxia como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante como a ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático que ser louco. Ela foi o equilíbrio de um homem por trás de cavalos em louca disparada, parecendo abaixar-se para este lado, depois para aquele, mas em cada atitude mantendo a graça de uma escultura e a precisão da aritmética.”

 

Chesterton

 

Tags: , ,

Quando se faz de conta que não sabe

Escrevo mais um pensamento: o de imaginar certas pessoas que não são “nada” e ao mesmo tempo são tão únicas e especiais.

A anciã poetiza, o jardineiro espiritual, o coletor de lixo profeta… Acho que era isso que Fernando Pessoa, ou melhor, Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, quis expressar:

 “Mas o contraste não me esmaga – liberta-me; e a ironia que há nele é sangue meu. O que devera humilhar-me é a minha bandeira, que desfraldo; e o riso que deveria rir de mim, é um clarim com que saúdo e gero uma alvorada em que disfarço. A glória noturna de ser grande não sendo nada! A majestade sombria de esplendor desconhecido… E sinto, de repente, o sublime do monge no ermo, do eremita no retiro, inteirado da substância de Cristo nas pedras e nas cavernas do afastamento.”  

É gratificante quando podemos responder várias perguntas complexas, místicas, psíquicas, filosóficas, teológicas… Ou seria pura besteira? Melhor mesmo é quando nos fazemos de tolos, abrimos mão do falar e só ouvimos, desenhamos na areia, vivemos os sonhos dos outros ou percebemos que diferença é soma.

Ao brincarmos com crianças, fazendo-lhes perguntas, ficamos satisfeitos com suas respostas. No mínimo, conquistam nossos sorrisos. Algumas gostam de inverter os papéis ou, do que chamam,  “brincar de professor”… O barato, é fazer de conta que não sabemos, é ser apenas um aprendiz.

Enfim, quando o poder de não exercer o poder for algo a se desejar, não precisaremos das glórias dos homens, tampouco do nosso orgulho; ansiaremos poucas coisas até. Tentaremos esquecer menos dos nomes daqueles que julgamos não serem tão importantes e nos aqueceremos mais do frio. Afinal, os ombros estarão bem mais próximos.

 

Jhônatas Cabral    

 
2 Comentários

Publicado por em outubro 17, 2008 em Quartos

 

Tags: , , , , , , , ,

Enxergando no escuro

“Disse eu a minh’alma: aquieta-te e deixa

as trevas virem sobre ti,

O que será a escuridão de Deus. …

Disse eu a minh’alma:

aquieta-te e espera sem esperança

Pois a esperança seria esperança pela coisa errada;

espera sem amor

Pois o amor seria amor pela coisa errada; ainda há fé

Mas a fé e o amor e a esperança estão todos eles

no aguardar.”

 

— T. S. Eliot, “East Coker”

 
Deixe um comentário

Publicado por em agosto 13, 2008 em Pensando pensamentos

 

Tags: , , , , , ,

!

Há dias que verdadeiramente me pergunto: Afinal de contas, por que motivo estou aqui?

Rodeado de minhas metas, de minhas ambições, de coisas importantes a se fazer, a conquistar, a me tornar… Esse emaranhado de cousas que norteiam nossas vidas como realização pessoal, a não desistência dos nossos sonhos e tantos outros clichês. Fico a refletir, com semblante melancólico, sobre o real sentido de viver. Não dá para não pensar se vivo mais dando alegria ou tristeza a Deus. Como fazê-lo feliz? Entre sabedorias mundanas e sapiências cristãs minha alma clama por simplicidade, e o quanto ela me cobra…  

Recorro ao manual do Fabricante e encontro, em forma de canção, uma exclamação em detrimento à minha pergunta. Maior que a vida, maior que a morte, maior que a própria razão.

CORÍNTIOS 13 (Stênio Marcius)

Quisera eu falar as línguas das nações
E aos povos irmanar em puras intenções
Deve ser doce, enfim, a língua angelical
Clamar com os serafins o Nome sem igual
E se eu profetizar, mistérios desvendar
Saber qual a razão de estrelas na amplidão
Se eu não tiver amor, de nada valerá
Eu viverei só pra saber o que é viver em vão
Quisera fé maior pra que eu vencesse o mal
E ao Pai servir melhor, pureza mais real
Oferecer os bens a quem mais precisar
Ir longe, muito além, a vida entregar
E eu que nada sou, não tenho muito a dar
Mas se eu tiver amor na vida que eu levar
Eu saberei , então, que o pouco que eu fiz
Não foi em vão, valeu a pena sentir meu Deus feliz!
 
 
1 comentário

Publicado por em agosto 6, 2008 em Espiritualidade

 

Tags: , , ,