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Vaga-lumes adormecidos

27 mar

Senti necessidade de compartilhar meus passos atuais nessa nova travessia da minha vida. Pessoas como William Douglas, Rubem Alves, Jesus e todos os meus poemas vividos (Gente que me fez acreditar em mim mesmo), têm sido velas – e no caso de Jesus, o sol –, cujas salas escuras do meu ser já podem ser visitadas.

 

Talvez o que seja difícil para mim seja fácil para outrem, mas o fato é que só sentimos fome em nossas próprias barrigas. O tempo é tão singular e se apresenta de forma variada para cada um (deixem-me explicar essas minhas aparentes contradições). Penso que, em determinado tempo de nossas vidas, nossas escolhas a tomar produzem fardos pesados, incômodos e angústias ao adiarmos fazer o que amamos. E esse é um momento tão ímpar, possessivo, no sentido de não mais sonharmos os sonhos dos outros e/ou não aceitarmos as convenções de nossa sociedade – o “ter” como essência de uma vida próspera. Uma parada, um silêncio, uma “olhada” nas certezas que nos deixam seguros e duas olhadas nas incertezas de nossos vôos. O que será que existe por trás daquela curva? Eu quero atravessá-la, mas…

 

Pois bem, tento não pronunciar essa palavra em minhas atitudes. O “mas” era uma chave que me trancava, abatia, me limitava. Existe uma sutil e óbvia diferença entre tomar uma decisão e agir. A ação é dizer ao “mas” que ele não te escraviza mais. É quando vemos nossa conta bancária diminuir a cada dia e transformamos o “mas” negativo em positivo. É sentir-se motivado por esse combustível chamado de amor e pelo tesouro o qual é depositado em nossa alma quando achamos um “eu” sem máscaras, um lugar dentro de nós que acende todos os vaga-lumes adormecidos, onde já podemos sair com a roupagem verdadeira.

 

E tanta coisa aparece para nos desanimar e pensarmos como escravos novamente (Faço alusão ao povo hebreu que fugiu da escravidão no Egito e atravessou o deserto. Dias depois, em meio ao sofrimento e às perdas, reclamavam e diziam que suas vidas, como escravos, eram melhores do que todas as privações daquele momento. Penso que eles questionaram erroneamente. Não era por quê tudo aquilo? E sim para quê tudo aquilo?)

 

A célebre frase atribuída a Sócrates cai bem: “Conhece-te a ti mesmo”. É muito difícil chegarmos à conclusão de que muita coisa em nós é falsa, ou termos a humildade de reconhecermos nossa ignorância. Aquilo que percebemos não necessariamente é a verdade. Quem sabe ainda vivemos em uma caverna, desta feita uma enorme caverna?

 

Nessa nossa prosa, só queria expressar que, paradoxalmente às perdas optadas, estou amando. Já faço muito mais o que gosto sem os holofotes ou sem o “status” que aprendemos desejar. Quero ter a fome e a sede de aprender e já entendo a Adélia Prado quando diz: “Não quero a faca, nem queijo. Quero a fome!”. Ela quer ter o desejo do queijo e lutar por ele.

 

Que sejamos amadores!

 

 

Jhônatas Cabral

 

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5 Comentários

Publicado por em março 27, 2009 em Quartos

 

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5 Respostas para “Vaga-lumes adormecidos

  1. EV

    março 29, 2009 at 14:35

    Gostei MUITO do que vc escreveu, pareceu bem sincero e fico feliz que vc tenha o sentimento de estar cada vez mais enxergando uma luz ao sair lentamente da caverna. Mas a luz pode tbm não ser a vedade não é??? De fato o tempo é singular para cada um, por isso não devemos apressar os outros achando que somos mais “evoluídos”…
    status??!
    tbm gostei muito da imagem que vc pôs no final, estamos sempre nos (re) escrevendo e sempre buscando e espero que possamos enxergar os vaga-lumes dentro de nós.

    abraços……………….

     
  2. Aline Lima

    abril 3, 2009 at 14:35

    Que adoravel reflexão, querer amar é o primeiro passo para encontrar o amor sincero e verdadeiro…. lindo caminho para vc!

     
  3. Neo

    abril 7, 2009 at 14:35

    Amigo,

    Passando pra matar saudades.

    Grande abraço

    Neo

     
  4. Daisy

    abril 13, 2009 at 14:35

    Uau.
    Acho interessante, e não coincidente, quando leio um texto, uma reflexão que eu poderia ter escrito. Percebo que de alguma forma Deus nos mostra, não só caminhos melhores, mas pensamentos melhores. Nada é e nem foi em vão, afinal. Inspirada por tuas palavras escreverei algo lá no Dai.
    Beijo, querido. Obrigada. 🙂

     

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