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Um pretexto pra falar de Jesus

01 dez

Na maioria das vezes que viajamos rumo a lugares agradáveis, atraentes ou puramente desejados e deixamos nossas casas com um certo olhar de orgulho por “sairmos da rotina” ou por respirarmos ares menos “sufocantes”, logo, ao passar dos dias, percebemos que aonde formos, quando a adrenalina ou a aventura não satisfazer mais, desejaremos a volta.

Numa certa entrevista, Rubem Alves disse que deu o seguinte conselho a um de seus clientes ( na época em que exercia psicanálise em seu consultório) sobre uma possível separação conjugal:

“Se o relacionamento estiver podre, num total desgaste, separe. Mas, se você estiver apaixonado por outra mulher não separe, pois na semana que vem tudo vai ser a mesma coisa”

Trazendo uma metáfora de Jesus à tona, pude perceber ali, entre a saudade de um filho e o amor de um pai, um desejo encontrado – A volta do filho pródigo. Para quem não conhece a parábola ou para quem sabe “de có e salteado”, vou reapresentá-la de forma poética através da canção “Fim de tarde no portão” de Stênio Március:

“Fim de tarde no portão
A cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento

Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar
Quem diziam já estar perdido

O seu amor é tão forterembrandt14
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil secar os mares
Apagar a estrela Antares
Que arrancar o amor de seu coração
Fim de tarde se debruça no portão

Mas um dia aconteceu
E o moço retornou mendigo
O pai depressa correu
E abraçou o filho tão querido

Tragam roupas e o anel
Calçem logo os seus pés, milagre!
Vinho do melhor tonel
Tanta alegria em mim não cabe

O seu amor é tão forte…
Fim de tarde, está deserto o portão”.

Imagino que a vocação de Deus seja amar debruçadamente nos portões de nossa consciência, esperar nossa volta com desejo de vida. Como a paz que sentimos no colo de mãe, assim que nascemos, seus gestos são análogos: Não existe dor de parto a ser lembrada, há um desejo ardente de abraçar, sentir.

O mar do esquecimento é o lugar onde Deus coloca nossa rebeldia, egoísmo, nossa ambição de sermos deuses, nossos desejos de morte… O sangue de Cristo, naquela cruz, propagou essa “teimosia de paixão”, perdão.

Aquele pai da parábola simboliza também a maravilhosa graça de Deus comum a todos. Não a “todos que” (tive que apagar o “que” porque não há restrição). Ele está lá, fim de tarde no portão, pronto a nos receber maltrapilhos ou não, como somos e estamos. O condicionamento é nosso, a maçaneta da porta só se abre por dentro.

Ele não está longe, mas e nós? Estamos longe dEle?

Jhônatas Cabral

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4 Comentários

Publicado por em dezembro 1, 2008 em Cristianismo, Espiritualidade, Quartos

 

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4 Respostas para “Um pretexto pra falar de Jesus

  1. Soflor

    dezembro 1, 2008 at 14:35

    Olá, já recebeste um selo e tens-o novamente no meu blogue…. recebe-o como uma prova de amizade…

    Beijinhos

     
  2. Daisy

    dezembro 2, 2008 at 14:35

    Texto maravilhoso. Uma forma lúcida de falar de um grande amor 😉
    Beijão, meu lindo. 🙂

     
  3. Samantha

    dezembro 4, 2008 at 14:35

    Passando por aqui para matar as saudades de vc poeta.
    Obrigada pela força!!
    E a propósito… texto magnífico este, assim como tantos outros seus.
    beijão

     
  4. Hum outro qualquer

    fevereiro 14, 2009 at 14:35

    Desculpe me outoclonar,
    é que ando resabiado
    mal trapilho e mal amado,
    tão a destrato da sorte
    que comigo tenho achado
    até pulgas a rosnar

    Isto posto meu amigo
    voltar é sempre uma porta
    que mal faz atravessar
    como penultima instância
    a todo mal que enfrentar

    isto posto, o filho pródigo
    vem quase configurar
    uma antesala do inferno
    que vamos atravessar

    Deus me livre de voltar
    mal trapilho ou acanhado
    melhor sería definhar

    Não por orgulho nem nada
    apenas para mostrar.

    Ser filho de Deus, o Pai.

    “brigado por publicar”

     

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