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Tempus fugit

05 nov

duas crianças

Tive vontade de pedir autorização para tirar essa foto, mas fiquei com receio de não sair bem natural. Espero não ser processado.

Vejo duas crianças brincando de balanço – uma criança nova e outra velha. O mestre Quintana expressou bem o tempo que passa cada vez mais depressa:

“Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª feira… Quando se vê, passaram 60 anos!” (Mário Quintana, “Seiscentos e sessenta e seis”)

Eu gosto de fazer poemas sem pensar imediatamente, visualizo primeiro. Essas duas crianças viraram poesia e nem as agradeci (Acho que por isso volto ao local de vez em quando para tentar vê-las novamente).

Sim, os balanços foram feitos para as crianças balançarem os adultos. A lembrança da praça voltou. Havia uma praça que eu gostava muito de ir quando criança. Negociava com o tempo para que logo ele apresentasse “o dia da praça”. O dia que me fazia ser um pássaro, encontrar outras espécies e dividir as bicicletas… O dia que meu pai virava o meu herói preferido quando dizia – “Vamos para a praça hoje”. Eu podia balançar minha mãe, vê-la sorrir, olhar como formiga num mundo gigante, sentir o vento, me apresentar para as flores e borboletas, brincar de pega-pega com minha irmã… No fim da tarde, ao voltar pra casa, via aquela praça ficar distante, miúda até não vê-la mais. A praça não me obedecia, eu a mandava vir comigo, mas ela não vinha… Eu tinha consciência de que os momentos felizes iriam terminar quando entrássemos em casa.

As duas crianças da foto trouxeram a praça até mim.

 

Jhônatas Cabral 

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3 Comentários

Publicado por em novembro 5, 2008 em Fotografias, Quartos

 

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3 Respostas para “Tempus fugit

  1. Ev

    novembro 5, 2008 at 14:35

    Que foto linda, gostei muito da forma que você observou a cena, e realmente há cenas que nos trazem as lembranças lá no fundo, empoeiradas… muito interessante a sua recordação de um dia fantástico na sua semana lá.. da sua infância , o momento em que você realmente podia ser criança e sonhar por alguns instantes que o mundo é lindo, que as famílias são perfeitas, num jardim secreto de onde não se quer partir, mas uma hora chega o choque- a realidade- podemos escolhê-la? Afinal os dias de parque também são reais, não é! É tão bom se balançar… quem não gosta? dá aquela sensação de liberdade, que com um pouco mais de esforço posso chegar ao céu…
    Ao céu que te trouxe as lembranças.

     
  2. Samantha

    novembro 5, 2008 at 14:35

    Oi poeta,
    eu como sempre maravilhada com suas palavras. Aquelas crianças te troxeram de volta a infância sim, mas para isso ter acontecido, precisou da sua sensibilidade, precisou do seu coração aberto para a mente se libertar. Você realmente tem o dom de transformar pequenos acontecimentos em GRANDES.
    E melhor do que isso, tens o dom de nos levar consigo. Assim como essas crianças, o seu texto me levou ao meu tempo de pracinha também. Tempo de descoberta e de fascínio. Tempo que não volta mais.
    beijão

     
  3. Adelmar Lincoln

    novembro 6, 2008 at 14:35

    Memórias!!! serão sempre!!! não lembramos de muitas coisas mas ao ver algo, logo a memória está ativa.
    Memória! linda palavra e útil para mantermos vivas as boas lembranças. Grande abraço de minha família, pois lí junto com a Gil.

     

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