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Quando se faz de conta que não sabe

17 out

Escrevo mais um pensamento: o de imaginar certas pessoas que não são “nada” e ao mesmo tempo são tão únicas e especiais.

A anciã poetiza, o jardineiro espiritual, o coletor de lixo profeta… Acho que era isso que Fernando Pessoa, ou melhor, Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, quis expressar:

 “Mas o contraste não me esmaga – liberta-me; e a ironia que há nele é sangue meu. O que devera humilhar-me é a minha bandeira, que desfraldo; e o riso que deveria rir de mim, é um clarim com que saúdo e gero uma alvorada em que disfarço. A glória noturna de ser grande não sendo nada! A majestade sombria de esplendor desconhecido… E sinto, de repente, o sublime do monge no ermo, do eremita no retiro, inteirado da substância de Cristo nas pedras e nas cavernas do afastamento.”  

É gratificante quando podemos responder várias perguntas complexas, místicas, psíquicas, filosóficas, teológicas… Ou seria pura besteira? Melhor mesmo é quando nos fazemos de tolos, abrimos mão do falar e só ouvimos, desenhamos na areia, vivemos os sonhos dos outros ou percebemos que diferença é soma.

Ao brincarmos com crianças, fazendo-lhes perguntas, ficamos satisfeitos com suas respostas. No mínimo, conquistam nossos sorrisos. Algumas gostam de inverter os papéis ou, do que chamam,  “brincar de professor”… O barato, é fazer de conta que não sabemos, é ser apenas um aprendiz.

Enfim, quando o poder de não exercer o poder for algo a se desejar, não precisaremos das glórias dos homens, tampouco do nosso orgulho; ansiaremos poucas coisas até. Tentaremos esquecer menos dos nomes daqueles que julgamos não serem tão importantes e nos aqueceremos mais do frio. Afinal, os ombros estarão bem mais próximos.

 

Jhônatas Cabral    

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2 Comentários

Publicado por em outubro 17, 2008 em Quartos

 

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2 Respostas para “Quando se faz de conta que não sabe

  1. Adelmar Lincoln

    outubro 17, 2008 at 14:35

    Bom é soltar a voz, o pensamento a falar, até porque não precisamos esconder nada, somos o que somos, desejo ver sempre isso, espontaneidade, criatividade e principalmente verdade(em falta hoje em dia). Mano (de tantas jornadas) bom vê-lo a expressar-se, continue e nunca esqueça dessa expressão a nós e ao Pai que está nos céu, será de grande utilidade, serás mentor de muitos. abração.

     
  2. Jeff

    outubro 23, 2008 at 14:35

    Por isso que sempre sonhei em não ser ninguém. Tenho me esforçado todos os dias sobre como fazer isso, como caminhar até esse estágio. Ele tem me ajudado. Aleluia

     

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