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Eu, robô?

24 set

                                                         

      Dia desses, vi uma reportagem sobre tal “médico-robô”, aqui no Brasil, no hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Na realidade um auxiliar robótico chamado de “Da Vinci” equipamento com quatro “braços” pelo qual o cirurgião os comanda a partir de uma espécie de controle remoto e visualiza o local da operação numa tela de vídeo com imagens bem definidas e em 3D. Fiquei impressionado com essa tal cirurgia robótica, mais um grande avanço tecnológico. Já se projeta, num futuro próximo, a robótica sendo incluída nas residências assim como a tele-medicina. No entanto, comecei a pensar na substituição do ser humano, no aumento do desemprego, no que se perde e no que se ganha com tanta tecnologia.
     Com a chegada do “Da Vinci”, por exemplo, quatro auxiliares médicos partiram. Alguém ainda vê nos supermercados o embalador? Enquanto embalamos nossas compras mais uma profissão é extinta. O número de bancários vem aumentando ou diminuindo? Ao aceitar a “sugestão” de sairmos das filas e fazermos operações no caixa rápido, ou a praticidade de um “Internet Banking” ratificamos a justificativa da não necessidade de contratação. No “e-commerce”, apresenta-se, na tela do monitor do computador, inúmeros produtos e os detalhes de seu funcionamento e modo de usar e também se realizam financiamentos e transações comerciais apenas com o fornecimento do número do cartão de crédito, menos um vendedor? E quando essas mudanças não ocorrem, a problemática gira em torno das atualizações, treinamento e especializações de profissionais, além da acirrada competitividade.
      É bem verdade também, que ao passo que desaparecem profissões, novas profissões surgem. Entretanto, para quem surgem? Para os que são analfabetos e/ou “desatualizados”? Mais uma conseqüência: a exclusão social.
      Não quero “cuspir no prato que eu como”, não quero agora deixar de tomar coca-cola, ser um protecionista disfarçado, deixar de usufruir os “mp3,4,5…1000”, cair na vã hipocrisia de ser um “anti-globalizado”. Mas quero poder fazer alguma coisa, diminuir a distância e a desigualdade, ser uma voz não falante apenas de palavras, ter mais paciência com minha mãe e suas limitações com a informática, praticar cidadania, perceber as segundas intenções e combatê-las.
     Saber dizer não às “etiquetas” como estilo de vida, saber viver o não, ter orgulho das minhas opiniões diferentes, deixar, quando eu quiser, crescer naturalmente minha barba, ser apenas mais humano. Não, não dá para apenas ser controlado por opressores e neoliberais que só visam o lucro, a mão-de-obra barata, ou a extinção dela. Não, eu não sou um robô.
 

Jhônatas Cabral

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1 comentário

Publicado por em setembro 24, 2008 em Quartos

 

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Uma resposta para “Eu, robô?

  1. Elaine Thamar

    setembro 26, 2008 at 14:35

    Maninho….
    Que crônica perfeita!
    Adorei!
    Vc realmente tem o domínio da palavra!
    Parabéns pelo blog, parabéns pelo dom!
    Concordo com vc, não sou anti-globalização, pelo contrário, adorO! Sou capitalista mesmo, mas tem pontos do Socialismo que me agradam,me atraem!
    Não conseguiria dormir em paz sabendo que prejudiquei diretamente tantas pessoas, tantos pais de família…
    Globalização sim, mas antes disso globalizemos as emoções! O amor, a caridade!
    Te amO maninhO!
    No amor de Cristo, Elaine Pink.

     

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