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Sobre anjos e morcegos

23 abr
Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vêde:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.”Vou mandar levantar outra parede…”
— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o tecto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

 

 

Augusto dos anjos

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1 comentário

Publicado por em abril 23, 2008 em Poemas

 

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Uma resposta para “Sobre anjos e morcegos

  1. Evelyn

    abril 25, 2008 at 14:35

    Augusto dos morcegos. ai, como eles pertubam, como eles giram sem parar, batem suas asas freneticamente e realmente nos fazem sentir trancafiados em um quarto escuro, por que eles nunca vão embora? por que não conseguimos matá-los?? porque eles nos lembram tanto o que a nossa loucura quer esquecer. pombas e morcegos tem que conviver juntos!??? me responde..não o Augusto o Jhonatas…

     

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