Entre o último beijo da noite e seus olhos,
há um desapego de mim, uma entrega.
Eu quero ficar quando você diz: – Fica –,
o branco de seus olhos me atrai.
Teu rosto se encaixa em minhas mãos
e o nosso silêncio,
como descompasso de coração,
retarda a saudade por um momento.
Despeço-me de ti, porque quero ter saudade.
Mas uma saudade mansa daquelas que acendem a lua
e me faz desejar seu pomar mesmo quando sou pássaro selvagem, livre.
Essa saudade é dor boa de sentir!
Um encanto com a certeza de um novo encontro,
(sonho de solista vivendo um dueto)
onde a brisa suave da solidão de um poeta
se faz poesia de desejo de saudade,
querer-te.
Jhônatas Cabral




