Escrevo mais um pensamento: o de imaginar certas pessoas que não são “nada” e ao mesmo tempo são tão únicas e especiais.
A anciã poetiza, o jardineiro espiritual, o coletor de lixo profeta… Acho que era isso que Fernando Pessoa, ou melhor, Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, quis expressar:
“Mas o contraste não me esmaga – liberta-me; e a ironia que há nele é sangue meu. O que devera humilhar-me é a minha bandeira, que desfraldo; e o riso que deveria rir de mim, é um clarim com que saúdo e gero uma alvorada em que disfarço. A glória noturna de ser grande não sendo nada! A majestade sombria de esplendor desconhecido… E sinto, de repente, o sublime do monge no ermo, do eremita no retiro, inteirado da substância de Cristo nas pedras e nas cavernas do afastamento.”
É gratificante quando podemos responder várias perguntas complexas, místicas, psíquicas, filosóficas, teológicas… Ou seria pura besteira? Melhor mesmo é quando nos fazemos de tolos, abrimos mão do falar e só ouvimos, desenhamos na areia, vivemos os sonhos dos outros ou percebemos que diferença é soma.
Ao brincarmos com crianças, fazendo-lhes perguntas, ficamos satisfeitos com suas respostas. No mínimo, conquistam nossos sorrisos. Algumas gostam de inverter os papéis ou, do que chamam, “brincar de professor”… O barato, é fazer de conta que não sabemos, é ser apenas um aprendiz.
Enfim, quando o poder de não exercer o poder for algo a se desejar, não precisaremos das glórias dos homens, tampouco do nosso orgulho; ansiaremos poucas coisas até. Tentaremos esquecer menos dos nomes daqueles que julgamos não serem tão importantes e nos aqueceremos mais do frio. Afinal, os ombros estarão bem mais próximos.
Jhônatas Cabral

Escrito por Jhônatas Cabral 
Escrito por Jhônatas Cabral