“O mundo das ideias religiosas”

Junho 1, 2009

Às vezes me pego querendo compreender tudo: Anoto, armazeno na memória, investigo, debato, discordo, concordo, olho de lado, ironizo, interrogo, duvido e me apronto rumo ao conhecimento. Entretanto, como compreender o canto de um sabiá?  Ou como entender a lambida de afeto de uma leoa voraz no ferimento de seu filhote? É… Tem coisas que não foram feitas para compreender, mas simplesmente  amar. Eu penso tanta coisa louca sobre Deus que acho que ele vivi rindo de mim, assim como um pai que ri das travessuras dos seus filhos. Tenho a leve impressão que o meu Deus não é diferente do seu, pois geralmente os nossos deuses são reflexos de nossos espelhos. Por exemplo, amo jardins e vejo um Deus jardineiro. Há aqueles que gostam de vingança, qual seria o Deus deles? Acho que é por isso que as religiões existem: para abrigar deuses diversos (ou engaiolá-los)

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Jhônatas


Oração de uma criança

Junho 1, 2009

“Deus, que os maus não sejam tão maus e que os bons não sejam tão chatos. Amém.”


Junho 1, 2009

Não é preciso acreditar em Deus para orar. A mãe que arruma o quarto para o filho que já morreu está orando. Ela ora diante de uma ausência. As ausências são a morada dos objetos amados que se perderam no tempo. Oração é a saudade transformada em poema. Oração é o suspiro da criatura oprimida.

Rubem Alves


“in dubio pro reu”

Junho 1, 2009

A presunção de inocência é uma das primeiras coisas que aprendemos no Direito. Este filme reflete exatamente a intolerância dos prejulgamentos, o quanto podemos destruir pessoas com palavras, falsas acusações ou simplesmente não ouvir o outro – convicções perigosas.

Duvida


A travessia de Deus?!

Maio 5, 2009

“Deus procura a Si mesmo em nós, e a aridez e o pesar do nosso coração são o pesar de Deus que não é conhecido em nós, que não pode encontrar a Si mesmo porque não ousamos acreditar ou confiar na incrível verdade de que Ele pode viver em nós, e o faz por escolha, por preferência. Mas de fato existimos somente para isto: para sermos o lugar que Ele escolheu para Sua presença, Sua manifestação no mundo, Sua epifania.”

 

Thomas Merton


William, o Douglas!

Maio 2, 2009

Conhecê-lo pessoalmente foi algo bem marcante. Suas primeiras palavras, após uma bela exposição de suas conquistas e trajetórias vitoriosas, foram: “Não se impressionem com o meu currículo”, e assim pude perceber desde o primeiro aperto de mão: Posso chamá-lo de William!

William Douglas e Jhônatas

Suas exortações estão bem gravadas em minha mente e adicionadas ao meu bolso de menino, sempre cheio de coisas legais. Um dia, se Deus permitir, terei também o privilégio de escrever e contar a muitos sobre meus fracassos, aquilo que foi ponte para alcançar meus sonhos, não é William?

Sim, podemos ser melhores que nós mesmos. Acordarmos de manhã e fazer o que amamos, evitando repetir os erros, encontrando o poder da graça – A vida em si. Cotidianamente, parece que o propósito de nossa existência está a nos chamar, sua paciência é infinita e ele acredita que iremos encontrá-lo.

 

Jhônatas Cabral

 


Eclesiastes 3, Drummond e humildade

Abril 9, 2009

Lá no livro bíblico de Eclesiastes, capítulo 3, há tempo para tudo. Sempre ficava imaginando minha vida através daqueles versos. Dia a dia vou vivendo cada tempo… Humildade é também bater as sandálias, tirar o pó e ir embora. 

    

 

 

Jhônatas


Abril 9, 2009

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

 

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

 

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo que a vida é uma ordem

A vida apenas, sem mistificação.

(Carlos Drummond de Andrade)


Vaga-lumes adormecidos

Março 27, 2009

Senti necessidade de compartilhar meus passos atuais nessa nova travessia da minha vida. Pessoas como William Douglas, Rubem Alves, Jesus e todos os meus poemas vividos (Gente que me fez acreditar em mim mesmo), têm sido velas – e no caso de Jesus, o sol –, cujas salas escuras do meu ser já podem ser visitadas.

 

Talvez o que seja difícil para mim seja fácil para outrem, mas o fato é que só sentimos fome em nossas próprias barrigas. O tempo é tão singular e se apresenta de forma variada para cada um (deixem-me explicar essas minhas aparentes contradições). Penso que, em determinado tempo de nossas vidas, nossas escolhas a tomar produzem fardos pesados, incômodos e angústias ao adiarmos fazer o que amamos. E esse é um momento tão ímpar, possessivo, no sentido de não mais sonharmos os sonhos dos outros e/ou não aceitarmos as convenções de nossa sociedade – o “ter” como essência de uma vida próspera. Uma parada, um silêncio, uma “olhada” nas certezas que nos deixam seguros e duas olhadas nas incertezas de nossos vôos. O que será que existe por trás daquela curva? Eu quero atravessá-la, mas…

 

Pois bem, tento não pronunciar essa palavra em minhas atitudes. O “mas” era uma chave que me trancava, abatia, me limitava. Existe uma sutil e óbvia diferença entre tomar uma decisão e agir. A ação é dizer ao “mas” que ele não te escraviza mais. É quando vemos nossa conta bancária diminuir a cada dia e transformamos o “mas” negativo em positivo. É sentir-se motivado por esse combustível chamado de amor e pelo tesouro o qual é depositado em nossa alma quando achamos um “eu” sem máscaras, um lugar dentro de nós que acende todos os vaga-lumes adormecidos, onde já podemos sair com a roupagem verdadeira.

 

E tanta coisa aparece para nos desanimar e pensarmos como escravos novamente (Faço alusão ao povo hebreu que fugiu da escravidão no Egito e atravessou o deserto. Dias depois, em meio ao sofrimento e às perdas, reclamavam e diziam que suas vidas, como escravos, eram melhores do que todas as privações daquele momento. Penso que eles questionaram erroneamente. Não era por quê tudo aquilo? E sim para quê tudo aquilo?)

 

A célebre frase atribuída a Sócrates cai bem: “Conhece-te a ti mesmo”. É muito difícil chegarmos à conclusão de que muita coisa em nós é falsa, ou termos a humildade de reconhecermos nossa ignorância. Aquilo que percebemos não necessariamente é a verdade. Quem sabe ainda vivemos em uma caverna, desta feita uma enorme caverna?

 

Nessa nossa prosa, só queria expressar que, paradoxalmente às perdas optadas, estou amando. Já faço muito mais o que gosto sem os holofotes ou sem o “status” que aprendemos desejar. Quero ter a fome e a sede de aprender e já entendo a Adélia Prado quando diz: “Não quero a faca, nem queijo. Quero a fome!”. Ela quer ter o desejo do queijo e lutar por ele.

 

Que sejamos amadores!

 

 

Jhônatas Cabral

 

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Amador = “aquele que ama”

Março 27, 2009

[...] Precisamos de combustível e o amor é a energia mais poderosa do planeta. Ele é quem faz uma pessoa levantar cedo e lutar para colocar o pão na boca do filho que ama, ou Madre Teresa cuidar dos pobres, em Calcutá. Aliás, conta-se que um milionário americano visitou o Lar de Madre Teresa e ficou horrorizado com as dificuldades que ela passava para atender aos internos. Vendo o cenário, exclamou:


- Eu não faria isso por dinheiro nenhum nesse mundo!
A Madre respondeu tranqüila:
- Eu também não!
- Ela estava ali por amor.

 

[...] em algum momento, de nada adianta ser um intelectual, um profissional respeitado e reconhecido, ter uma situação privilegiada. Em algum lugar, somos todos iguais na necessidade de paz, auto-estima e aceitação, somos todos iguais na necessidade de sermos admirados pelo que fazemos, mas muito mais sermos amados independentemente do que somos capazes de fazer. Em suma, em algum lugar que a ciência, nem a razão, nem o sucesso permitem chegar; o amor compartilhado e gratuito é o que nos salva.

 

 

(William Douglas)