Estávamos em uma praça de alimentação na faculdade quando, subitamente, pensei em Nietzsche e nos que dizem que cometeu suicídio. Perguntei ao Douglas qual seria a razão, o motivo pelo qual ele achava ser a causa daquele ato (Se, de fato, ele suicidou-se). Enquanto ele pensava, eu mesmo me encarreguei de responder citando várias teorias de Nietzsche, seu ceticismo e sua teologia metafísica baseados na rejeição da fé-segurança e por conseqüência dessa auto-afirmação e da não imposição de dogmas sua forma de morrer atraia o suicídio ou vice e versa. No entanto, a resposta de Douglas foi muito mais inteligente e satisfatória: “Sei lá, acho que foi por causa de alguma mulher”
Intuição
Julho 24, 2009
Hoje me deu muita vontade de atualizar isso aqui, melhor dizendo, conversar com vocês. Pensei no uso de metáforas (são excelentes para comunicar sobre nós mesmos), mas optei pelo puro improviso. Descobri que intuição também requer conhecimento. Logo, por ser uma forma de conhecimento imediato, floresce de uma percepção pronta e clara como um feixe de luz em meio à escuridão. Esse “sentido aranha” não é posse exclusiva das mulheres, mas sim da pessoa que já viveu muitas experiências e juntou, dentro de si, todos os cacos quebrados de seu universo particular transformando-os em mosaicos de sensações.
A poesia surge do espanto
Junho 26, 2009
“O poema nasce do espanto, e o espanto decorre do incompreensível. Vou contar um história: um dia, estava vendo televisão e o telefone tocou. Mal me ergui para atendê-lo, o fêmur de uma das minhas pernas roçou o osso da bacia. Algo do tipo já acontecera antes? Com certeza. Entretanto, naquela ocasião, o atrito dos ossos me espantou. Uma ocorrência explicável, de súbito, ganhou contornos inexplicáveis. Quer dizer que sou osso? – refleti, surpreso. Eu sou osso? Osso pergunta? A parte que em mim pergunta é igualmente osso? Na tentativa de elucidar os questionamentos despertados pelo espanto, eclode um poema. Entende agora por que demoro 10, 12 anos para lançar um novo livro de poesia? Porque preciso do espanto. Não determino o instante de escrever: hoje vou sentar e redigir um poema. A poesia está além de minha vontade. Por isso, quando me indagam se sou Ferreira Gullar, respondo: às vezes.”
Ferreira Gullar. Bravo, mar/2009
Eclesiastes 3, Drummond e humildade
Abril 9, 2009Lá no livro bíblico de Eclesiastes, capítulo 3, há tempo para tudo. Sempre ficava imaginando minha vida através daqueles versos. Dia a dia vou vivendo cada tempo… Humildade é também bater as sandálias, tirar o pó e ir embora.
Jhônatas
Abril 9, 2009
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem
A vida apenas, sem mistificação.
(Carlos Drummond de Andrade)
Vaga-lumes adormecidos
Março 27, 2009Senti necessidade de compartilhar meus passos atuais nessa nova travessia da minha vida. Pessoas como William Douglas, Rubem Alves, Jesus e todos os meus poemas vividos (Gente que me fez acreditar em mim mesmo), têm sido velas – e no caso de Jesus, o sol –, cujas salas escuras do meu ser já podem ser visitadas.
Talvez o que seja difícil para mim seja fácil para outrem, mas o fato é que só sentimos fome em nossas próprias barrigas. O tempo é tão singular e se apresenta de forma variada para cada um (deixem-me explicar essas minhas aparentes contradições). Penso que, em determinado tempo de nossas vidas, nossas escolhas a tomar produzem fardos pesados, incômodos e angústias ao adiarmos fazer o que amamos. E esse é um momento tão ímpar, possessivo, no sentido de não mais sonharmos os sonhos dos outros e/ou não aceitarmos as convenções de nossa sociedade – o “ter” como essência de uma vida próspera. Uma parada, um silêncio, uma “olhada” nas certezas que nos deixam seguros e duas olhadas nas incertezas de nossos vôos. O que será que existe por trás daquela curva? Eu quero atravessá-la, mas…
Pois bem, tento não pronunciar essa palavra em minhas atitudes. O “mas” era uma chave que me trancava, abatia, me limitava. Existe uma sutil e óbvia diferença entre tomar uma decisão e agir. A ação é dizer ao “mas” que ele não te escraviza mais. É quando vemos nossa conta bancária diminuir a cada dia e transformamos o “mas” negativo em positivo. É sentir-se motivado por esse combustível chamado de amor e pelo tesouro o qual é depositado em nossa alma quando achamos um “eu” sem máscaras, um lugar dentro de nós que acende todos os vaga-lumes adormecidos, onde já podemos sair com a roupagem verdadeira.
E tanta coisa aparece para nos desanimar e pensarmos como escravos novamente (Faço alusão ao povo hebreu que fugiu da escravidão no Egito e atravessou o deserto. Dias depois, em meio ao sofrimento e às perdas, reclamavam e diziam que suas vidas, como escravos, eram melhores do que todas as privações daquele momento. Penso que eles questionaram erroneamente. Não era por quê tudo aquilo? E sim para quê tudo aquilo?)
A célebre frase atribuída a Sócrates cai bem: “Conhece-te a ti mesmo”. É muito difícil chegarmos à conclusão de que muita coisa em nós é falsa, ou termos a humildade de reconhecermos nossa ignorância. Aquilo que percebemos não necessariamente é a verdade. Quem sabe ainda vivemos em uma caverna, desta feita uma enorme caverna?
Nessa nossa prosa, só queria expressar que, paradoxalmente às perdas optadas, estou amando. Já faço muito mais o que gosto sem os holofotes ou sem o “status” que aprendemos desejar. Quero ter a fome e a sede de aprender e já entendo a Adélia Prado quando diz: “Não quero a faca, nem queijo. Quero a fome!”. Ela quer ter o desejo do queijo e lutar por ele.
Que sejamos amadores!
Jhônatas Cabral

Espírito dialético…
Março 23, 2009As grandes coisas exigem silêncio, ou que delas falemos com grandeza: com grandeza significa: com cinismo e inocência.
(Nietzsche)
Meu Aniversário!!!
Março 11, 2009
Octávio Paz certa vez disse: “Todos os dias atravessamos a mesma rua ou o mesmo jardim; todas as tardes os nossos olhos batem no mesmo muro avermelhado feito de tijolos e tempo urbano. De repente, num dia qualquer, a rua dá para um outro mundo, o jardim acaba de nascer, o muro fatigado se cobre de signos”.
Podemos ver tantos significados nas coisas insignificantes… Vivemos poemas todos os dias e colecionamos conchinhas em nossos bolsos.
Hoje é o dia de apresentar meus poemas vividos, de expressar meu amor pela vida e faço questão de escrever aqui, “habitar novamente nessa casa”.
Nesse nosso blog fazemos nossa confraria. Por isso, peço desculpas pela ausência nos últimos dias e renovo nossas prosas na travessia. Minha taça transborda, tem alguma taça vazia por aí? Um brinde ao amor!
Um forte abraço!
Receita para ser amado
Fevereiro 17, 2009Fiquei refletindo, nesse último fim de semana, sobre uma cena que vi no metrô de Recife (aliás, imagino que se escrevêssemos tudo o que observamos num metrô, produziríamos literaturas marcantes). Sentei-me ao lado de uma garota, ela tinha em seus ouvidos aqueles fones de mp3, 4, sei lá qual. O fato é que em sua frente havia uma velhinha magérrima falando com ela praticamente sem pausas. A cada estação, sua prosa ficava mais longa. Imaginei que a garota não estaria ouvindo-a, mas de vez e quando ela balançava a cabeça como sinal de confirmação e seus olhos estavam concentrados na velhinha. De repente, percebi que ou ela havia diminuído o volume do aparelho ou o teria desligado, pois prestava atenção àquelas palavras com timbre envelhecido de uma forma muito compassiva. Alegrei-me em presenciar aqueles momentos… Não quis interferir em nada, apenas contemplar. Não sabia o nome daquela garota, mas tinha certeza de uma coisa: Ela era uma pessoa bastante amada. Em seu interior sabia que aquela velhinha carecia de ouvidos que a escutassem sem combates, interferências, cortadas. Seu silêncio diante da fala do outro foi a mais bela linguagem. A velhinha se levantou, foi-se em direção à porta e antes de sair falou à moça: – “Tchau”. Percebi que aquela simples palavra significava “Eu gosto muito de você”. É… Amamos mais a quem nos ouve.
Jhônatas Cabral
Escrito por Jhônatas Cabral
Escrito por Jhônatas Cabral
Escrito por Jhônatas Cabral