Poemas vividos são os que eu guardo na memória,
Na possível esperança de abri-los novamente.
Os anos podem até roubar a nitidez de meu olhar demorado,
Mas jamais usurparão o sentido, o valor de seu legado.
Sou incapaz de esquecer a constante busca das respostas,
Das quedas que ninguém chegou a ver,
Das travessuras de um menino,
Que não sabia que era tão penoso crescer.
Enchia meus bolsos daquilo que seria bom para os outros.
Vez por outra doava timidamente meus presentes.
E quando alguém me retribuía, em forma de palavras ternas,
Eu sorria, já podia levantar a cabeça.
Muitos dos poemas vividos estão distantes, outros descansam,
Mas são inseparáveis e fortes – Petrificam em mim.
Um deles disse que minhas pequenas mãos são bonitas;
Admiram-se até com meus desenhos abstratos.
Eu apenas sou grato a eles.
Não me atrevo a ser um soneto, nem rima perfeita.
Tão-somente, quero esvaziar meus bolsos cheios de sementes
Nesse corredor chamado vida, nesses tempos de colheita.
Jhônatas

Escrito por Jhônatas Cabral
Escrito por Jhônatas Cabral
Escrito por Jhônatas Cabral 





