
Del e Gil na praia de Paripueira-AL
Conhecê-lo pessoalmente foi algo bem marcante. Suas primeiras palavras, após uma bela exposição de suas conquistas e trajetórias vitoriosas, foram: “Não se impressionem com o meu currículo”, e assim pude perceber desde o primeiro aperto de mão: Posso chamá-lo de William!

Suas exortações estão bem gravadas em minha mente e adicionadas ao meu bolso de menino, sempre cheio de coisas legais. Um dia, se Deus permitir, terei também o privilégio de escrever e contar a muitos sobre meus fracassos, aquilo que foi ponte para alcançar meus sonhos, não é William?
Sim, podemos ser melhores que nós mesmos. Acordarmos de manhã e fazer o que amamos, evitando repetir os erros, encontrando o poder da graça – A vida em si. Cotidianamente, parece que o propósito de nossa existência está a nos chamar, sua paciência é infinita e ele acredita que iremos encontrá-lo.
Jhônatas Cabral
Jhônatas Cabral
(Foto tirada do museu-casa do mestre graça em Palmeira dos Índios, Alagoas)
Em várias ocasiões o mestre Graciliano Ramos ressaltou o que um artista deveria realmente escrever: Aquilo que ele acredita.
“Não há arte fora da vida, não acredito em romance estratosférico. O escritor está dentro de tudo o que se passa, e se ele está assim, como poderia esquivar-se de influências?”, afirmou a Ernesto Luiz Maia (pseudônimo do jornalista Newton Rodrigues), numa entrevista. Em uma carta à irmã Marili Ramos, escreveu: “Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida. Arte é sangue, é carne. Além disso não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos, só podemos expor o que somos”.
“O artista deve procurar dizer a verdade. Não a grande verdade, naturalmente. Pequenas verdades, essas que são nossas conhecidas”, explicava.
Nos seus contos, romances, crônicas e memórias, destacou as injustiças. Jogou um facho de luz sobre as entrelinhas de um mundo alienado, com folhas de papel e frases objetivas ensinava: “A arma do escritor é o lápis”.
Ele também me inspira a me chamar, melhor dizendo, me convocar. Assim como a redundância do “Eis-me aqui, envia-me a mim” do profeta Isaías.
É bom se aceitar, é bom convidar o nosso eu ou os nossos eu’s para uma prosa com café, letras, música…
“Nunca pude sair de mim mesmo. Só posso escrever o que sou. E se as personagens se comportam de modos diferentes, é porque não sou um só”, confessou ao escritor Homero Senna.
Hoje já posso despertar do sono todas as personagens que sou, todo esse emaranhado de lembranças e influências que me faz escrever, doar sentidos e ajudar. Possuímos certas marcas que nos registram no mundo e isso é valioso. Por muitas vezes me pus a repetir que gostaria de ser outro tipo de gente. Tolice a minha, o melhor de mim é ser eu mesmo.
Tive vontade de pedir autorização para tirar essa foto, mas fiquei com receio de não sair bem natural. Espero não ser processado.
Vejo duas crianças brincando de balanço – uma criança nova e outra velha. O mestre Quintana expressou bem o tempo que passa cada vez mais depressa:
“Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª feira… Quando se vê, passaram 60 anos!” (Mário Quintana, “Seiscentos e sessenta e seis”)
Eu gosto de fazer poemas sem pensar imediatamente, visualizo primeiro. Essas duas crianças viraram poesia e nem as agradeci (Acho que por isso volto ao local de vez em quando para tentar vê-las novamente).
Sim, os balanços foram feitos para as crianças balançarem os adultos. A lembrança da praça voltou. Havia uma praça que eu gostava muito de ir quando criança. Negociava com o tempo para que logo ele apresentasse “o dia da praça”. O dia que me fazia ser um pássaro, encontrar outras espécies e dividir as bicicletas… O dia que meu pai virava o meu herói preferido quando dizia – “Vamos para a praça hoje”. Eu podia balançar minha mãe, vê-la sorrir, olhar como formiga num mundo gigante, sentir o vento, me apresentar para as flores e borboletas, brincar de pega-pega com minha irmã… No fim da tarde, ao voltar pra casa, via aquela praça ficar distante, miúda até não vê-la mais. A praça não me obedecia, eu a mandava vir comigo, mas ela não vinha… Eu tinha consciência de que os momentos felizes iriam terminar quando entrássemos em casa.
As duas crianças da foto trouxeram a praça até mim.
Jhônatas Cabral

Meu pai, inocentemente, nem imaginou que seria protagonista de mais um dos meus registros inusitados. Dizem que a calvice é hereditária; ciência a parte, percebo que é verdade. Certa vez, o perguntei o que ele achava que existia de mais parecido entre nós, para minha surpresa ele respondeu: – “Sua honestidade”. Fiquei meio emocionado e calado com a mistura de sentimentos: Exaltação e preocupação.
Registro: Morro do Careca (Praia de Ponta Negra – Natal) e Sr. Cabral