A poesia surge do espanto

Junho 26, 2009

 

untitled

  “O poema nasce do espanto, e o espanto decorre do incompreensível. Vou contar um história: um dia, estava vendo televisão e o telefone tocou. Mal me ergui para atendê-lo, o fêmur de uma das minhas pernas roçou o osso da bacia. Algo do tipo já acontecera antes? Com certeza.  Entretanto, naquela ocasião, o atrito dos ossos me espantou. Uma ocorrência explicável, de súbito, ganhou contornos inexplicáveis. Quer dizer que sou osso? – refleti, surpreso. Eu sou osso? Osso pergunta? A parte que em mim pergunta é igualmente osso? Na tentativa de elucidar os questionamentos despertados pelo espanto, eclode um poema. Entende agora por que demoro 10, 12 anos para lançar um novo livro de poesia? Porque preciso do espanto. Não determino o instante de escrever: hoje vou sentar e redigir um poema. A poesia está além de minha vontade. Por isso, quando me indagam se sou Ferreira Gullar, respondo: às vezes.” 

Ferreira Gullar. Bravo, mar/2009   


Nesses tempos de colheita

Junho 7, 2009

Poemas vividos são os que eu guardo na memória,

Na possível esperança de abri-los novamente.

Os anos podem até roubar a nitidez de meu olhar demorado,

Mas jamais usurparão o sentido, o valor de seu legado.

 

Sou incapaz de esquecer a constante busca das respostas,

Das quedas que ninguém chegou a ver,

Das travessuras de um menino,

Que não sabia que era tão penoso crescer.

 

Enchia meus bolsos daquilo que seria bom para os outros.

Vez por outra doava timidamente meus presentes.

E quando alguém me retribuía, em forma de palavras ternas,

Eu sorria, já podia levantar a cabeça.

 

Muitos dos poemas vividos estão distantes, outros descansam,

Mas são inseparáveis e fortes – Petrificam em mim.

Um deles disse que minhas pequenas mãos são bonitas;

Admiram-se até com meus desenhos abstratos.

 

Eu apenas sou grato a eles.

Não me atrevo a ser um soneto, nem rima perfeita.

Tão-somente, quero esvaziar meus bolsos cheios de sementes

Nesse corredor chamado vida, nesses tempos de colheita.

 

Jhônatas

1964904


Junho 7, 2009

problogger6bo7


“O mundo das ideias religiosas”

Junho 1, 2009

Às vezes me pego querendo compreender tudo: Anoto, armazeno na memória, investigo, debato, discordo, concordo, olho de lado, ironizo, interrogo, duvido e me apronto rumo ao conhecimento. Entretanto, como compreender o canto de um sabiá?  Ou como entender a lambida de afeto de uma leoa voraz no ferimento de seu filhote? É… Tem coisas que não foram feitas para compreender, mas simplesmente  amar. Eu penso tanta coisa louca sobre Deus que acho que ele vivi rindo de mim, assim como um pai que ri das travessuras dos seus filhos. Tenho a leve impressão que o meu Deus não é diferente do seu, pois geralmente os nossos deuses são reflexos de nossos espelhos. Por exemplo, amo jardins e vejo um Deus jardineiro. Há aqueles que gostam de vingança, qual seria o Deus deles? Acho que é por isso que as religiões existem: para abrigar deuses diversos (ou engaiolá-los)

gaiola-229x300

Jhônatas


Oração de uma criança

Junho 1, 2009

“Deus, que os maus não sejam tão maus e que os bons não sejam tão chatos. Amém.”


Junho 1, 2009

Não é preciso acreditar em Deus para orar. A mãe que arruma o quarto para o filho que já morreu está orando. Ela ora diante de uma ausência. As ausências são a morada dos objetos amados que se perderam no tempo. Oração é a saudade transformada em poema. Oração é o suspiro da criatura oprimida.

Rubem Alves


“in dubio pro reu”

Junho 1, 2009

A presunção de inocência é uma das primeiras coisas que aprendemos no Direito. Este filme reflete exatamente a intolerância dos prejulgamentos, o quanto podemos destruir pessoas com palavras, falsas acusações ou simplesmente não ouvir o outro – convicções perigosas.

Duvida