Fiquei refletindo, nesse último fim de semana, sobre uma cena que vi no metrô de Recife (aliás, imagino que se escrevêssemos tudo o que observamos num metrô, produziríamos literaturas marcantes). Sentei-me ao lado de uma garota, ela tinha em seus ouvidos aqueles fones de mp3, 4, sei lá qual. O fato é que em sua frente havia uma velhinha magérrima falando com ela praticamente sem pausas. A cada estação, sua prosa ficava mais longa. Imaginei que a garota não estaria ouvindo-a, mas de vez e quando ela balançava a cabeça como sinal de confirmação e seus olhos estavam concentrados na velhinha. De repente, percebi que ou ela havia diminuído o volume do aparelho ou o teria desligado, pois prestava atenção àquelas palavras com timbre envelhecido de uma forma muito compassiva. Alegrei-me em presenciar aqueles momentos… Não quis interferir em nada, apenas contemplar. Não sabia o nome daquela garota, mas tinha certeza de uma coisa: Ela era uma pessoa bastante amada. Em seu interior sabia que aquela velhinha carecia de ouvidos que a escutassem sem combates, interferências, cortadas. Seu silêncio diante da fala do outro foi a mais bela linguagem. A velhinha se levantou, foi-se em direção à porta e antes de sair falou à moça: – “Tchau”. Percebi que aquela simples palavra significava “Eu gosto muito de você”. É… Amamos mais a quem nos ouve.
Jhônatas Cabral
Escrito por Jhônatas Cabral
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