Se para vencer o medo é preciso continuar de olhos fechados, então continuemos. Porém, se já temos coragem para abrí-los e assim, não desistirmos de nossos vôos, sonhemos de olhos abertos, saudemos o vento e prossigamos.
Jhônatas Cabral
Se para vencer o medo é preciso continuar de olhos fechados, então continuemos. Porém, se já temos coragem para abrí-los e assim, não desistirmos de nossos vôos, sonhemos de olhos abertos, saudemos o vento e prossigamos.
Jhônatas Cabral
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa
Quem me conhece pessoalmente sabe o que realmente quero dizer quando digo: – precisava não…
Pois é… Precisava não, Samantha (No Divã com Samantha)
Valeu!!!!! hehehe





Os meus indicados desta vez são:
Blog da priscila, Liberdade para as borboletas, Zingador, Todos os sentidos, Blog da Ana paula, Blog da soflor. (Ambos em minha lista de afinidades)
Atenção, aviso aos navegantes: Para quem deseja os dois selos do meio (das lâmpadas) terá de escrever sobre seis coisas que gosta de fazer…
Por exemplo, no meu caso (tirando da minha lista de reticências), gosto de: Quebrar protocolos, ouvir pessoas, investigar idéias, assistir filmes dramáticos, ler Rubem Alves, comer quiabo.
Alguns não conseguem afrouxar suas próprias cadeias e, não obstante, conseguem libertar seus amigos.
Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?
- Assim falou Zaratustra
Tenho mania de contemplar. Por muitas vezes fico a olhar demoradamente a natureza, pequenos animais, pessoas. Vez por outra, alguém corta meu barato, encosta e pergunta: – Estais pensando em quê? E respondo com uma frase do Alberto Caeiro: – “Pensar é estar doente dos olhos”. Primeiro convoco a substância, admiro. Pensar vem muito depois, sem pressa. Quando minha emoção convida pensamentos, a lucidez é mais nítida… Há quem diga que é impossível passar sequer um minuto sem pensar. Discordo, passo vários. É um estado de escuta, recepção, humildade.
Jhônatas Cabral
O esforço é grande o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areai moreno
E para diante naveguei.
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
Ao imenso e possível oceano
Ensinam estas quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego e romano:
O mar sem fim é português.
E a cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar,
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.
Fernando Pessoa
Baseado no filme Ensaio sobre a cegueira, na crônica de Rubem Alves “Tênis x Frescobol” e no livro Ortodoxia de Chesterton, venho dividir algumas percepções sobre corações de pedra e corações amolecidos.

Uma das cenas que mais chamou minha atenção no filme, foi a de cães desesperados por alimento, creio eu, cegos também, devorando uma pessoa morta. Ao passo que a atriz principal (a única personagem que enxergava) era, paradoxalmente, acariciada por um outro cãozinho afetuoso que mais parecia um peregrino em busca de sua alma gêmea. Eles se reconheceram: podiam enxergar, sorrir e dividir o fardo de seus corações altruístas.
Em minha jornada, venho provando o gosto amargo de muitos corações de pedra. Gente que doei pedaços de mim, abrigo, amizade, olhares de afeto. Mas, por alguma coisa que se perdeu no caminho, têm me dado o avesso de tudo isso. Até o fato de saber que o amor é algo cujo não se espera a reciprocidade, eu já entendia. Minha surpresa tem sido uma flor doida que insiste em nascer mesmo no mais árduo deserto do meu ser: A esperança.
Meu coração tão enganoso, tão ambíguo, tende a ser mais amolecido. E eu preciso aceita-lo como ele é. A isso eu chamo de o poder de não exercer o poder.
Ultimamente, venho fazendo um teste com algumas pessoas “próximas”. E, para aqueles que detestam se desapontar com outras pessoas ou não querem ficar sujas de catchup, aconselho não seguir meu exemplo.
Em alguma lanchonete, num determinado momento, peço a um dos meus amigos que segurem o catchup e aponte para meu rosto. Faço a seguinte pergunta: – Você tem coragem de jogar catchup em mim?
A primeira vez que fiz essa pergunta foi a uma amiga. Tinha certeza que ela não me sujaria e, para minha surpresa e a de todos, fiquei com catchup no meu olho direito. Desapontado, ri de mim mesmo. Ao sair do local, caminhando, ela se aproximou e pensei: – Acho que pedirá desculpas, mas em tom de superioridade me disse: – Tá vendo que eu tenho coragem? E respondi: – Tranqüilo… O importante foi isso: você venceu o desafio, mostrou que teve coragem…. Você tinha em suas mãos o poder de não exercer o poder.
Não sei ao certo se ela entendeu minha real intenção que era a de proporcionar uma reflexão sobre nosso egocentrismo, nossas formas de “cortar” o outro, humildade e superioridade. Contudo, também percebi essa dualidade da vida ao fazer o mesmo teste com uma outra amiga que por ser mais “desbocada” e termos visões diferentes de vários assuntos, seria mais propícia a repetir a bela cena de me sujar de catchup. E, para meu espanto ela não o fez, disse: -Tá louco? Até que você tá merecendo, mas não faria isso com você meu amigo.
Não creio que minha amiga do primeiro teste tenha um coração de pedra. Sobre isso, refiro-me a outras pessoas, mas fico a imaginar que os corações começam a se petrificar dessa forma. Pequenos gestos de supremacia, desejos ocultos de sermos exaltados, pensamentos “tênis” que almejam a vitória dos argumentos numa cortada, em tirar o outro da jogada. Palavras de reis soberanos, donos da verdade, os quais nem prestam muita atenção no que dizemos, pois se assim o fizerem, não lhes restará tempo para sua próxima fala.
Acho que o amor é muito mais ouvir que falar. Corações amolecidos que regam aquela flor doida que insiste em nascer. Pensamentos “frescobol” que almejam não a cortada, mas a continuação. O desejo de que a bola do outro não caia.
A matemática e o português podem andar de mãos dadas. O lógico e o poeta também? Tem certeza que a água e o óleo não se misturam? Se quisermos ver as estrelas precisamos também da… Escuridão? E o destino? Não pode fazer um dueto com o livre-arbítrio? Existem coisas importantes que servem para nos trazer ao eixo, para dentro de nós, coisas centrípetas. Entretanto há coisas mais importantes que nos fazem estender nossos braços como forma de encontro, propagação, coisas centrífugas.
Acho que enxergamos melhor quando somos comuns, quando admiramos a juventude por ela ser jovem e a velhice por não ser. Um equilíbrio de aparentes contradições onde acreditamos que a lucidez é encontrada quando permitimos o misticismo. Para que nossos corações não se petrifiquem, imagino que devemos ter um pé na terra e outro num mundo encantando. Aí quem sabe, os corações amolecidos obedeçam ao reino na terra e os corações de pedra acreditem que as crianças são de fato o reino dos céus.
Jhônatas Cabral
Falai de Deus com a clareza
da verdade e da certeza:
com um poder
de corpo e alma que não possa
ninguém, à passagem vossa,
não o entender.
Falai de Deus brandamente,
que o mundo se pôs dolente,
tão sem leis.
Falai de Deus com doçura,
que é difícil ser criatura:
bem o sabeis.
Falai de Deus de tal modo
que por Ele o mundo todo
tenha amor
à vida e à morte, e, de vê-Lo,
o escolha como modelo superior.
Com voz, pensamentos e atos
representai tão exatos
os reinos seus,
que todos vão livremente
para esse encontro excelente.
Falai de Deus.
Cecília Meireles