“João amava Teresa que amava Raimundo
Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
Que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história”.
Hoje, esse lindo poema do Mestre Drummond já não é uma comédia como era para mim na adolescência, percebo sua profundidade…
Amar é magnífico quando flui dos dois lados, quando não se tem dúvidas e isso se torna um padrão. Quando não vivemos isso, evidencia-se então uma busca incessante, um desnortear de sentimentos em detrimento a essa música tão melódica e sublime. Entre parênteses: Como não sou muito fã da unanimidade, valorizo as dúvidas.
Procurar e/ou ser achado, esperar e/ou perceber ao redor, aceitar e/ou vê no que dá… Afinal, quais conceitos devemos abraçar? Amar é uma arte, e devemos ser artistas e não somente atores. O encontro do solo com o dueto. Vivendo como solistas, saberemos viver o dueto?
A definição vem sempre acompanhada de perdas, talvez por isso interrogamos tanto. Evidencia-se que capacidade de amar é uma coisa, e capacidade de ser amado é outra. Então como fugir do amor? Todos amam, todos são amados: Conclusão de sentimento do poema. Cada ser tem sua forma de revezar seus papéis. Olhar para trás e extrair o valor de cada carta não lida, de cada beijo não dado, de cada dor não consolada, de cada eu não encontrado, é alcançar o botão que liga o sorriso de “satisfação” do amor, sua estratégia funciona.
Thomas Merton, a quem tenho profunda admiração por sua vida e obra, escreveu que: “O amor não é uma questão de se obter o que se deseja. Muito pelo contrário. A insistência em sempre ter o que se deseja, em sempre obter satisfação, em sempre ser saciado, torna o amor impossível. Para amar, você precisa sair do berço, onde tudo é ‘obter’, e crescer para a maturidade da doação, sem se preocupar em obter alguma coisa especial em troca. O amor não é uma transação, é um sacrifício. Não é marketing, é uma forma de culto. Na realidade, o amor é uma força positiva, um poder espiritual transcendente. É, de fato, o poder criativo mais profundo na natureza humana. Enraizado nas riquezas biológicas de nossa herança, o amor floresce espiritualmente como liberdade e como resposta da criatura à vida num encontro perfeito com uma outra pessoa. É uma apreciação viva da vida como valor e como dom. Responde à fecundidade, à variedade e à total riqueza da própria experiência viva; ele ‘conhece’ o mistério interior da vida. Deleita-se com a vida como uma fortuna inesgotável. O amor aprecia essa fortuna de uma maneira impossível ao conhecimento. O amor tem a sua própria sabedoria, sua própria ciência, sua própria maneira de explorar as profundezas interiores da vida no mistério da pessoa amada. O amor sabe, compreende e satisfaz as exigências da vida, na medida em que responde com calor, abandono e entrega.”
O amor é o sentido e é tão amplo… Só podemos escrever e falar pouco até; já viu mistério ser revelado por completo? Deus é mistério, Deus é amor. E já concordo com Rubem Alves quando diz que: “A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo”.
Jhônatas Cabral
Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
Que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história”.

Setembro 3, 2008 às 14:35
LINDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!
Setembro 7, 2008 às 14:35
O amor é o único sentimento que pode servir de resposta e solução pra todas as perguntas!
Contudo é o sentimento mais raro que existe.
Acho que é por isso q as pessoas vivem tão confusas, e sem respostas pra quase nada.
Setembro 16, 2008 às 14:35
Estamos no terceiro milênio e amor ainda é questão não respondida.
O Homem ainda não amadureceu a ponto de compreender a dimensão, a profundidade do tema. Tudo é especulação. Ainda há muito a aprender. Belo texto! Bjs e inté!
Setembro 18, 2008 às 14:35
Oi, Jhonatas! Eu, de novo. Depois, se preferir, apague este comentário. Negócio seguinte: recebi da Débora Martins o prêmio Dardos e quem o recebe deve indicar 15 blogues para também recebê-lo. Um dos meus indicados é o seu blogue. Há algumas regras a seguir para que se exiba o selo do prêmio Dardos (trata-se na verdade de uma confraternização entre blogueiros). Mas seguir tais regras, deixo a critério de cada um. Bjs e inté!