Um belo arranjo feito por João Alexandre de uma canção verdadeira.
Você pode ter (Sérgio Pimenta)
Você pode ter a casa repleta de amigos
Paredes e pisos cobertos de bens
Ter um carro do ultimo tipo
E andar conforme der na cabeça
Ou pode até ser um cara que vive apertado
Até mesmo dentro de lotação
Curtindo assim mesmo um fim de semana
Ao andar conforme der na cabeça
Mas sempre sera como folha no vento
Esperando o momento de cair
Você pode ter tudo aquilo que sonhar
Mas nunca tera a paz que existe lá dentro
Que não se encontra pra poder comprar
Porque essa paz so a pessoa
Que se encontra com Cristo
Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vêde:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.”Vou mandar levantar outra parede…”
— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o tecto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!
Não basta saber ler para ler poesia. Ler poesia é uma arte. Exige que o leitor se coloque numa posição especial de alma. O segredo da poesia está na música da leitura. Mais do que uma arte: é um ato de bruxedo. O leitor invoca um mistério que se encontra nos interstícios das palavras do poeta. Essas palavras estão dentro dele mesmo. O poema faz-me ouvir um poema que está dentro de mim. Esse poema que está dentro de mim é um pedaço de mim.”
“Você já experimentou ficar boiando no mar? O corpo todo solto, sem fazer nada, nenhum movimento, subindo e descendo ao sabor das ondas? Pois é assim que se lê poesia: flutuando ao sabor das palavras, sem pressa, em voz alta, poesia é música.”
“São falas do coração. Por favor: não tente entender. Música não é para ser entendida. é para ser ouvida. Poesia não é para ser entendida. É para ser lida em voz alta”
Rubem Alves
Quando o Senhor Jesus
Chamou meu coração
Não fez um convite descuidado ou impensado
Não quis apenas ser Gentil ou Educado
Mas deixou claro que havia algo importante a ser feito
Mas para que esse algo eu conhecesse era preciso andar
Junto com ele
e Necessário pensar os seus pensamentos
e Amar pessoas com o seu amor
e conhecer também de perto a Dor
e os vales mais profundos
provar aos poucos uma solidão
e o desamparo desse mundo
e aprendendo assim
a depender a cada dia mais de suas mãos
Quando ele me chamou
Não fez promessas
Humanamente convincentes
Nada que me enchesse os olhos
Apenas disse que me faria um pescador
Mas pescador de peixes eu sou
e na verdade há muitos outros como eu
nós pescamos coisas distintas e mesmo que você não sinta
tua vida algo vai buscar
Mas para que esse algo eu conhecesse era preciso andar
Junto com ele
e Necessário pensar os seus pensamentos
e Amar pessoas com o seu amor
e conhecer também de perto a Dor
e os vales mais profundos
provar aos poucos uma solidão
e o desamparo desse mundo
e aprendendo assim
a depender a cada dia mais de suas mãos
Quando ele me chamou…
Quem sabe um dia você vai sentir também
Quem sabe um dia você vai pensar também
Quem sabe um dia você vai ouvir a mesma voz
Ou quem sabe um dia o fará mudar de atitude, vida, rumo e de propósito
Ritmo. Que me leva à dança, me conduz ao pensamento. Ora reflexivo, ora pesaroso; sobretudo constante e paradoxalmente variável. Identifica-me, é próprio. Repete-se o tempo eis o ritmo, repete-se o ritmo eis o “ilusionismo”. Não há métrica que o deixe cartesiano, exato, aprisionado. É por isso que a prosa e o ritmo se dão bem, são enamorados. Crianças em um mundo dançante, reflexivo, pulsante.
Isso não é poesia? então o que é afinal ?
Eu recito meus poemas numa sala sozinho nem por isso se tornam monólogos, ao contrário, se tornam ritmos e ritmos nao precisam de ouvidos para senti-los.
“Meu começo, foram poesias (…) escrevi um volume nada pequeno de poesias que foram até elogiadas, e que me proporcionaram louvor. Mas aí, eu, quase diria felizmente, comecei a ser absorvido pela minha profissão: eu viajei no mundo, conheci muita coisa, aprendi línguas, acolhi tudo isso em mim, mas não pude mais escrever. Assim se passaram 10 anos até eu poder dedicar-me de novo à literatura. E quando eu revi, então, meus exercícios líricos, achei-os na verdade não ruins de todo, mas também não particularmente convincentes. Sobretudo descobri que a poesia profissional que a gente tem de lançar mão nos poemas pode ser a morte da verdadeira poesia. Por isso eu me voltei para a lenda heróica, o conto fabuloso, a estória simples. Por que isso são coisas que a vida escreve, não a legalidade das chamadas regras poéticas. Então, eu me sentei e comecei a escrever Sagarana.”
Peregrino das viagens do vento, assim me torno o que sou. Gosto de comunicar sabores, fotografar memórias em palavras, versar livremente na travessia da prosa. Não tenho vocação a criar sonetos perfeitos, apenas sonho, apenas imagino, desejo um pouco de saber e o máximo de sabor.
"Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria. Eu queria avançar para o começo. Chegar ao criançamento das palavras".
(Manoel de Barros)